Continua muita alta a mortalidade infantil na Baixada Santista. Os dados de 2018, divulgados pela Fundação Seade, mostram que a região apresentou, mais uma vez, resultados negativos, e a taxa manteve-se praticamente no mesmo patamar do ano anterior. Ela era 14,17 óbitos para cada mil nascidos vivos em 2017; em 2018, o índice ficou em 14,02. Esse valor é muito maior do que a média estadual (10,70) e superior ao de outras regiões, como Campinas (9,11), Ribeirão Preto (8,82) e Vale do Paraíba/Litoral Norte (9,63). Quando se analisa a taxa nos nove municípios da Baixada, nota-se que ela é elevada em todos eles, superando a média estadual. O pico foi registrado em Mongaguá (20,28 mortos por mil nascidos vivos) e o melhor resultado, embora ainda alto, aconteceu em Santos (12,01). Outra informação preocupante é que o índice cresceu em Itanhaém, município em que a taxa de mortalidade infantil havia sido muito baixa em 2017 (5,99 por mil nascidos vivos). Ela foi elevada de modo significativo em 2018, mais que dobrando, passando a 12,5. Em Santos, também subiu o indicador (de 10,72 para 12,01). Houve variação mínima em Cubatão, Guarujá e Praia Grande, que praticamente mantiveram as taxas em 2017 e 2018. Já Bertioga, Mongaguá, Peruíbe e São Vicente tiveram queda, mas mantendo os indicadores em patamar alto, superior à média estadual. Esses números precisam ser analisados com atenção pelas autoridades de saúde. Como destacou o professor e pesquisador Alfésio Braga, a mortalidade infantil é um indicador universal de qualidade de vida. Os elevados índices na região, que vêm se mantendo nos últimos anos, demonstram que as políticas públicas de saúde materno-infantil não têm apresentado resultados satisfatórios, e exigem-se providências urgentes para a mudança do quadro. A questão é complexa. A mortalidade infantil se divide em vários períodos: o óbito até sete dias do nascimento (perinatal), o neonatal (até quatro semanas de vida), e chegando ao pós-neonatal e à fase chamada tardia. Os problemas são vários: cuidados com o pré-natal, que envolve assistência médica e psicológica às futuras mães; atenção à gestação de risco; e em muitos casos carências no atendimento no parto e para bebês que precisam de UTIs especiais, que inexistem em vários municípios. A situação econômica da população agrava os problemas. O desemprego e a queda de renda, que ainda persistem na região, com melhora inferior à do restante do Estado e do País, fazem com que o cenário seja ainda pior. É preciso agir, elegendo a saúde como prioridade fundamental, e fazê-lo com abrangência metropolitana. Esse é o desafio que se coloca, para que, rapidamente, as estatísticas negativas da mortalidade infantil mostrem nítida reversão em todas as cidades da Baixada Santista.