( Sílvio Luiz/AT ) Durante muitas décadas, a Baixada Santista reivindicou, com legitimidade e direito, a vinda de investimentos expressivos que resolvessem gargalos históricos e tirassem do papel obras e empreendimentos que pareassem a região às demais do País que também têm relevância e protagonismo. Estavam nesse pacote a ligação entre Santos e Guarujá, a ampliação do Sistema Anchieta-Imigrantes, o Veículo Leve sobre Trilhos e a chegada de empresas multinacionais que enxergassem potencial de crescimento nos municípios que compõem a região. Esse momento chegou e uma série de iniciativas está no radar para ocorrer nos próximos anos, fruto do trabalho parlamentar, dos Executivos municipais, da cobrança da mídia local e, notadamente, das lideranças setoriais que representam o hub de empresas aqui instaladas. Junto com as obras e investimentos vêm providências imprescindíveis que precisam ser adotadas para que as cidades não fiquem inviabilizadas, seja do ponto de vista da mobilidade urbana, seja da formação profissional ou mesmo das estruturas regulatórias entre os setores, que precisam estar em sintonia para que o interesse de uns não inviabilize o todo. No 1º Encontro Porto & Mar 2026, realizado pelo Grupo Tribuna na quinta-feira, a dor do crescimento foi exposta de maneira clara e pontual, e bem definida pelo secretário de Governo de Santos, Fábio Ferraz: “Estamos em um momento estratégico”, em que a oportunidade de crescimento regional é iminente e bem-vinda, com uma carteira robusta de investimentos ocorrendo já a partir deste ano. A agenda, então, precisa pontuar de maneira clara e sem viés polítco quais são os gargalos e como resolvê-los de maneira eficiente e duradoura. A terceira pista da Rodovia dos Imigrantes, por exemplo, deve ter sua licença prévia ambiental emitida pela Cetesb nas próximas semanas, notícia positiva e importante até para os mais céticos, que imaginavam que seria mais uma lenda urbana a se somar a tantas outras que figuraram nas últimas décadas. Ter mais uma ligação entre o Planalto e a região é relevante no contexto do crescimento que se tem verificado não só de pessoas como, especialmente, de cargas com destino ao Porto de Santos. Ocorre que para dar conta desse maior movimento é preciso adaptar os viários urbanos, as obras complementares e a integração de modais. A terceira pista é apenas um dos exemplos de investimentos que precisam de planejamento prévio e articulação entre todos os setores. A ela se soma a ocupação do Tecon Santos 10, o túnel entre Santos e Guarujá, a previsão de crescimento da movimentação de cargas no Porto e até mesmo o maior fluxo previsto de turistas à região. Na outra ponta, também é preciso rever legislações que, concebidas há décadas, podem não mais dar conta das atuais necessidades setoriais. A Baixada Santista vive um momento histórico de crescimento que exige planejamento, integração e responsabilidade para que o avanço seja duradouro e benéfico para todos.