(Joédson Alves/Agência Brasil) Pequenos negócios historicamente sofrem com a falta de crédito para acelerar o crescimento ou para não fechar as portas precocemente. Entretanto, quando há acesso a financiamento em uma economia com períodos muito longos de juros altos, aumenta a chance de se endividar perigosamente. Segundo dados do Mapa Assertiva de Cobrança e Endividamento (Mace), publicados por A Tribuna na última segunda-feira, as micro e pequenas empresas são os portes de empreendimento que proporcionalmente mais têm dívidas. Trata-se de um problema sério, pois essas duas modalidades representam 97% dos inscritos ativos no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Além disso, elas empregam metade da mão de obra contratada com carteira. Portanto, melhorar esse perfil significa dar sustentabilidade ao crescimento do País e à geração de postos de trabalho. O levantamento, com base nas consultas realizadas por empresas de cobrança, aponta que o País tinha 1,638 milhão de CNPJs endividados no ano passado. Deve-se ressaltar que tomar crédito não é necessariamente ruim. Pelo contrário, é a forma com que uma empresa, independentemente de seu porte, tem para fazer investimentos, como adquirir novas tecnologias ou equipamentos para ampliar sua produção ou prestação de serviços. Porém, nas crises, que no Brasil são acompanhadas de juros altos, a queda das vendas dificulta o pagamento das prestações dos empréstimos, cujos saldos são corrigidos por essas taxas elevadas. Não se estranha que nos últimos anos tenham crescido os pedidos de recuperação judicial, processo em que uma empresa se protege contra os credores. Conforme a Assertiva, empresa responsável pela pesquisa, a cada dez microempresas, seis estão endividadas. Neste porte, o percentual dos CNPJs com dívidas varia de 58,68% em Minas Gerais até 63,31% no Rio de Janeiro. Em São Paulo vai a 59,41%. Essa proporção, contudo, cai para a faixa estadual de 17,08% e 19,66% no caso do porte de pequena empresa. Já no critério de tempo de mercado, o endividamento fica na casa dos 30% para a companhia, de qualquer porte, com pelo menos 15 anos de funcionamento. Entre as com cinco a dez anos de atividade, o percentual varia de 22% a 24%, conforme o estado. Segundo analistas, este último perfil melhora por um problema estrutural – os bancos são receosos de emprestar a companhias novas porque estão mais expostas à falência. Assim, não conseguem sequer se endividar. O endividamento excessivo e a consequente dificuldade para pagar a dívida tem relação com a falta de capacitação em negócios, formação deficiente que começa no ensino básico ruim. Porém, a instabilidade econômica se tornou um veneno, intercalando períodos curtos de crescimento com estagnação ou recessão. Aliás, desde janeiro de 2000, o Brasil teve somente sete anos com juros básicos de um dígito. Não há como suportar taxas muito altas por tanto tempo.