(Reprodução/X) Após uma das eleições mais aguardadas nas Américas nos últimos tempos, a vitória de Claudia Sheinbaum, de 61 anos, do partido Morena e aliada do atual presidente Andrés Manuel López Obrador, traz preocupações sobre o futuro da democracia no país, a dificuldade para reter o avanço do narcotráfico e a política de imigração, na verdade controlada pelos Estados Unidos. Obrador encerrará um governo popular devido aos benefícios sociais e ao crescimento moderado, mas que deve deixar para Sheinbaum, que conquistou 60% dos votos, a continuidade de uma política para fortalecer o Executivo e enfraquecer o Judiciário, em meio aos ataques à imprensa livre. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O México interessa ao Brasil pela possibilidade de se tornar a maior economia latino-americana no médio prazo. A localização estratégica, junto aos EUA, favorece profundamente os mexicanos devido à nova ordem mundial e às restrições comerciais da Casa Branca contra a China. Desde a guerra da Ucrânia e a covid, quando cadeias de produção foram interrompidas, os norte-americanos passaram a estimular a repatriação de indústrias e serviços. Como os altos salários pesam nos custos, a solução foi reimplantar esses negócios no México. Porém, o gigantismo e o poderio norte-americano são um desafio para o México. Além da dependência econômica elevadíssima em relação a esse parceiro comercial, o governo mexicano tem uma política imigratória que muitos críticos dizem ser uma subordinação ou até humilhação – o país se responsabilizou em filtrar a imigração ilegal destinada aos EUA, prática iniciada por Donald Trump e que ainda perdura. No ano passado, quase 800 mil latinos foram presos no México na tentativa de chegar aos EUA. Esse assunto mal foi discutido nas eleições, mas terá que estar entre as prioridades de Claudia Sheinbaum devido à incrível pressão exercida tanto pelos próprios mexicanos como centro-americanos. Isso porque o envio de recursos pelos imigrantes para parentesco na América Latina soma dezenas de bilhões de dólares, tornando-se uma das fontes de recursos essenciais para economias frágeis. Mas a criminalidade é o grande problema do México, cujos cartéis promoveram uma matança de políticos na campanha eleitoral, uma nítida estratégia de dominar as instituições para manter seus negócios operando livremente. Enquanto antecessores usaram as forças armadas para prender chefões do tráfico, Obrador adotou a política do “abrazos, no balazos” (abraços, não tiros), em uma linha de oferecer melhores condições de vida nas periferias para vencer a bandidagem. As duas medidas, pelo menos isoladamente, não funcionaram, assim como há dúvidas se o bukelismo, em El Salvador, em situação de exceção para facilitar a repressão às gangues, vai ser sustentável ou se servirá para manter uma ditadura disfarçada. O fato é que as grandes máfias ou facções estão cada vez mais entrelaçadas e os países da região terão que unir esforços.