( Pixabay ) Um dia depois da queda dos mercados mundiais, as bolsas reagiram, principalmente no Japão, com alta de 10%, ontem, após recuo de 12,4% na véspera. No Brasil, o que mudou mesmo foi o dólar, que caiu para R\$ 5,65, depois de quase ter tocado R\$ 5,90. Agora, os economistas falam que o câmbio tende a arrefecer, pois estava muito pressionado pelo temor de desequilíbrio fiscal pelo Governo Lula. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Porém, houve outro fato importante ontem, a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que explica a decisão do BC sobre a taxa Selic, mantida na semana passada em 10,5%. O texto foi duro, cobrou austeridade das contas públicas e indicou que, se necessário, o BC subirá a Selic – por enquanto, analistas esperam que os juros básicos ficarão no atual nível elevado até o próximo ano. Apesar de internamente os problemas do País continuarem os mesmos, o endividamento público elevado e muito gasto público, o ambiente externo mudou rapidamente desde a reunião do Copom na quarta-feira passada. Os EUA apresentaram baixa geração de emprego e aceleração do desemprego, o que detonou a queda da bolsa do Japão na sexta-feira e, com muito mais força, na última segunda, contaminando o mundo. O Japão passou por valorização do iene, subida dos juros e tendência de inflação, mas o que pesou internacionalmente foi o temor de recessão nos EUA. Quando a economia se deteriora ou se estima que isso vai acontecer, a percepção é de que muitas empresas perderão receita e terão prejuízo, portanto, suas ações valerão menos. As bolsas fazem esse ajuste, com os investidores, de tempos em tempos, agindo tempestivamente para reduzir perdas. Ontem, com a calmaria, que pode ou não ser uma tendência daqui para frente, os analistas falavam em exagero do mercado e que faltam mais dados para comprovar que os EUA entrarão em recessão. O que de fato se observa é que esse contexto de pelo menos baixo crescimento estimula o Federal Reserve (BC dos EUA) a reduzir os juros no próximo mês. Isso é muito positivo para o Brasil, pois a queda de rentabilidade dos títulos americanos deve liberar muitos capitais para os países emergentes, o que ajudaria a derrubar o dólar e atrair de volta o investidor estrangeiro. Entretanto, o que não mudou em relação à semana passada é que os juros do Brasil podem fazer o sentido inverso das taxas dos EUA. Por aqui, a inflação voltou a preocupar e ainda não está claro qual será o impacto da alta do dólar das últimas semanas. Além disso, a economia se recuperação mais forte. E ainda falta confirmar se o governo vai cortar gastos para reduzir o déficit. É possível que o faça, mas para o mercado há a impressão de que isso será feito com o esforço mínimo, apenas o exigido pela meta fiscal. Mas há um problema sério com as contas públicas, principalmente do lado das despesas com benefícios sociais, e isso terá que ser enfrentado cedo ou tarde.