[[legacy_image_224270]] Em uma cidade que se orgulha de seu passado e que carrega o lema de primeira do País (por ter sido a primeira vila fundada pelos portugueses, em 1532), espera-se que as referências ou pontos históricos de São Vicente recebam um tratamento à altura, até por eventual interesse turístico. Não é o caso do Mercado Municipal, na Praça João Pessoa, bem próximo à Biquinha e ao Gonzaguinha, e que está sem utilidade econômica e abandonado. A limitação de recursos das prefeituras é conhecida, mas um espaço histórico como esse, que remonta à primeira metade do século 18, precisa ser preservado para que as novas gerações desenvolvam laços com o Município e mantenham suas tradições. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! No caso do Mercado Municipal, ele tem uma óbvia vocação cultural, turística ou mesmo comercial por sua localização estratégica, no Centro, ao lado da Igreja Matriz e a poucos minutos da praia, com potencial de entreter tanto os moradores quanto os turistas. Ele foi inaugurado em 1929 no espaço de um prédio histórico de 1728 e que foi a primeira sede da Câmara Municipal, que, depois, virou cadeia e quartel de polícia e ficou vazio em 1915. Em 2010, sua fachada foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico, Cultural e Turístico de São Vicente (Condepahsv), e se nota agora que pouco efeito surtiu, a não ser o abandono, que é o que mais ameaça a preservação de sua frente. Conforme reportagem de A Tribuna publicada ontem, em seu interior há mato crescendo, placas e equipamentos possivelmente dos últimos comerciantes que ali trabalharam. Apesar do descuido em relação ao espaço, ele ainda é referência para moradores, que lembram de seu uso comercial e citam o que lá poderia ser feito. Um deles relatou tentativa recente de abrigar lojistas e a instalação provisória da rodoviária. Entre as sugestões estão atividades culturais, exposições de artesanato e até venda de doces. O programa da campanha que elegeu o prefeito Kayo Amado (Pode) previa usar o local como museu, coworking (compartilhamento de salas), restaurante-escola, cafeteria e loja de artesanato. São atividades relacionadas aos tempos atuais e associadas à vocação econômica da cidade de São Vicente. Revitalizar um mercado municipal não é fácil. Santos é exemplo disso, que mais uma vez empreende reforma de seu espaço histórico, integrado a um programa de transformação do entorno. Mas já há projetos bem amadurecidos no País, com bons resultados em várias cidades, como a Capital, Belo Horizonte e Salvador. Com um plano bem fundamentado e debatido com os vicentinos que se preocupam com seu patrimônio histórico, é possível que a Prefeitura tenha sucesso com alguma iniciativa. É um trabalho que exige paciência e busca por investidores para um espaço que poderia se tornar uma das principais atrações da Cidade.