(FreePik) Os dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) do primeiro semestre mostram o mercado imobiliário brasileiro avançando a um ritmo mais acelerado do que o esperado. O que mais impressiona é que esse segmento importante para a economia tem convivido com uma taxa básica de juros de dois dígitos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a CBIC, de janeiro a junho, os lançamentos de imóveis em 221 cidades, incluindo a Baixada Santista, cresceram 7% em relação a igual período do ano passado, chegando a 83.930 moradias, enquanto as vendas saltaram 17,9% na mesma comparação, com 93.743 unidades. Trata-se de um movimento que gera muito emprego e faz girar as engrenagens do financiamento à habitação. Isso amplia a carteira de crédito dos bancos, atendendo um público cada vez maior – se outros indicadores essenciais para a confiança do tomador de empréstimo colaborarem, principalmente a oferta de emprego. Além disso, a negociação de moradias novas estimula o mercado de usados, cujo dinheiro de suas vendas sustenta os recursos da entrada na compra de um apartamento na planta, por exemplo. O mercado imobiliário dos últimos meses avançou por meio do crescimento do Minha Casa, Minha Vida, que obviamente depende da disponibilidade de recursos públicos. O programa tem uma parte com subsídios, devido ao baixo poder aquisitivo da famílias mais pobres, justamente a fatia dessa linha que nos últimos anos menos cresceu – reflexo de cortes orçamentários com a limitação das contas da União. A outra frente do Minha Casa, Minha Vida é bancada pelo aporte das famílias de renda estável, ainda que os salários sejam modestos, e o financiamento pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que tem seus limites. O FGTS está sujeito ao próprio crescimento do mercado de trabalho e depende dos pagamentos em dia dos mutuários para que o fundo possa suportar eventuais saques em caso de onda de demissões. Recentemente o FGTS liberou mais R\$ 22 bilhões para a habitação, uma quantia respeitável, mas que não resolverá a carência por moradias populares no País. Considerando uma média de R\$ 100 mil por residência no País (um valor insuficiente para Santos, por exemplo), essa verba extra financiaria 220 mil casas ou apartamentos, frente a um déficit habitacional de 6 milhões de residências no País, segundo estimativa da Fundação João Pinheiro com base em dados de 2019. Não é possível corrigir em poucos anos os problemas habitacionais do País, mas a continuidade dos programas de casa própria é fundamental para combater essa carência gradualmente. Entretanto, a solidez do mercado imobiliário privado é um pilar fundamental para atrair recursos além do FGTS. Para isso, é necessário que a economia se estabilize por mais anos seguidos, o que tem relação com inflação e juros baixos e principalmente austeridade com contas públicas.