(Tania Rego/Agência Brasil) Assim como em 2025, o Brasil reagiu no primeiro semestre deste ano aos impactos do tarifaço, conseguindo acelerar as exportações. Aliás, o desempenho brasileiro superou as previsões. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, que previa saldo comercial (diferença entre exportações e importações) de US\$ 72,1 bilhões para todo este ano, agora espera US\$ 90 bilhões. Se confirmado, será o segundo melhor desempenho do País desde 2023, quando a balança comercial foi de US\$ 98,8 bilhões. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Além de ter encontrado novos destinos para as mercadorias brasileiras tarifadas pelos Estados Unidos, o Brasil foi beneficiado pelo preço do petróleo, que saltou 67% no acumulado de 12 meses, até junho, devido à guerra dos EUA, Israel e Irã. Essa valorização coincidiu com um período em que a Petrobras bate recordes de produção no pré-sal da Bacia de Santos. Com isso, o produto, com vendas externas semestrais de US\$ 27,903 bilhões, quase superou as da soja, de US\$ 29,132 bilhões. No ano passado, os EUA isentaram uma série de mercadorias, como carnes, café e petróleo, para segurar a inflação. Mesmo assim, a Secretaria de Comércio Exterior do Brasil mostra que os EUA continuam perdendo participação na balança brasileira. Enquanto as exportações aos americanos encolheram 13% no primeiro semestre, em relação a igual período de 2025, aos chineses houve aumento de 21,9% e à União Europeia, de 12,8%. Nesse período, os EUA compraram US\$ 17,4 bilhões do Brasil, muito atrás da China (US\$ 58,32 bilhões) e da UE (US\$ 26,91 bilhões). Isso faz com que o Brasil não dependa tanto dos EUA como as outras economias latino-americanas, principalmente o México. Por outro lado, não se deve menosprezar os EUA, pois o país compra industrializados que complementam a produção de empresas americanas, como aço e bens para montadoras. A negociação comercial com os EUA é importante para arrefecer o impacto do tarifaço na indústria. Entretanto, o Governo Lula acertou em buscar novos mercados, em países pequenos e médios, que, somados e cultivados nos próximos anos, poderão gerar um saldo importante para o País. Além disso, o Brasil estimula acordos comerciais. Ainda não se sabe se o pacto com a UE será minado pelas armadilhas que o bloco tem tomado contra carnes e aço brasileiros. Mas há discussões avançadas com Canadá e Japão, e o tratado com a Associação Europeia de Comércio Livre (Efta, na sigla em inglês, que tem Noruega e Suíça como membros) já foi homologado. Diversificar o comércio é fundamental para o Brasil enfrentar o protecionismo americano e depender menos da China, que, no primeiro semestre, teve déficit comercial de US\$ 20 bilhões com o País. Se o governo ampliar os investimentos em infraestrutura para reduzir custos do agronegócio e melhorar a produtividade da indústria, o Brasil avançará no comércio mundial.