(Tania Rego/Agência Brasil) Um dia depois do novo tarifaço de 25% contra produtos brasileiros ser confirmado pelos Estados Unidos, o Governo Lula amenizou o tom político, com respostas mais duras, da quinta-feira, e ontem acenou com soluções pragmáticas e falas ponderadas. Por exemplo, a Agência Brasileira de Promoções e Investimentos (Apex-Brasil) anunciou R\$ 130 milhões para ajudar as empresas prejudicadas a buscar novos mercados. Desbravar outros destinos foi o que fizeram, com excelentes resultados, exportadores de commodities. Tal iniciativa, associada a outras condições econômicas, como alta do petróleo, levou o Brasil a ampliar a balança comercial, com expectativa de atingir o segundo melhor superávit de sua história. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Entretanto, há barreiras para as empresas, como as indústrias, encontrarem novos mercados. Muitos desses manufaturados vendidos aos EUA são feitos sob encomenda ou para clientes cativos há muitos anos. Além disso, haverá uma concorrência brutal do baixo custo asiático ou do alto valor agregado dos europeus. E ainda, o negócio brasileiro sofre há décadas com a instabilidade econômica, carga tributária elevada, mão de obra de baixa qualificação ou com ensino básico deficiente e transporte por rodovias. Já o crédito é caro, reflexo de inflação, juros altos e economia instável e de crescimento fraco durante duas décadas. Portanto, não dá para a indústria se tornar um campeão exportador em poucos meses. Depois dos discursos inflamados do alto escalão governista na quinta-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na sexta que não cabe falar em retaliação aos Estados Unidos. Segundo ele, o governo está empenhado em usar a Lei de Reciprocidade, que na prática também é uma forma de retaliar, “na medida e no momento certo”. Com essa legislação, o Brasil poderá responder com sobretaxas e suspensão de acordos comerciais. Contudo, utilizá-la seria decretar uma guerra comercial aos EUA, que poderiam responder com aumento de tarifas e retirar alguns produtos da isenção, como café, suco de laranja, celulose, petróleo e minerais. Passada a eleição nos EUA, em 3 de novembro, a Casa Branca estaria livre para agir sem medo de perder votos com eventual impacto de suas medidas na inflação. Apesar do governo alegar que as exigências americanas ameaçam a soberania brasileira, o Governo Lula não se dispôs a fazer qualquer concessão exclusivamente comercial. Por outro lado, não se deveria esperar que a gestão petista cedesse em algum ponto a quase três meses da eleição presidencial. Mas o País estava fadado a não conseguir bons resultados, pois o presidente Donald Trump defende tarifas como estratégia de ação. Porém, como o Brasil tem percentual tarifário inferior apenas ao da China, esperava-se que alguma gordura seria cortada. Pelo contrário, há uma segunda tarifa a ser sacramentada, no próximo dia 24, de 12,5%, no processo contra 60 países por uso do trabalho forçado.