[[legacy_image_357294]] A recuperação do Rio Grande do Sul tem duas frentes, a da reconstrução da infraestrutura das cidades e outra para apoiar as famílias e empresas. Para a primeira situação, os governos já definiram verbas e os mecanismos de repasse, enquanto a ajuda individual, principalmente para a pessoa física, foi formalizada apenas nesta semana. A gestão estadual vai destinar R\$ 2 mil das doações via Pix, que somaram R\$ 101 milhões, para 50 mil vítimas das enchentes, ao mesmo tempo em que a União decidiu enviar R\$ 5,1 mil para 200 mil famílias, com R\$ 1,2 bilhão para esse fim. A ideia, do lado federal, é contar com o cadastramento de ruas tomadas pelas enchentes em todo o Rio Grande do Sul e providenciar o pagamento por meio da Caixa. O banco já tem a expertise do auxílio emergencial da pandemia, inclusive para apontar fraudes, o que contou com a Receita Federal. É evidente que o auxílio familiar e condições mais atraentes de crédito para pequenas empresas pesarão nas contas públicas, mas sem essa estratégia a recuperação seria mais demorada e traumática. Em entrevista ao jornal Valor, o economista da Universidade Católica de Brasília Ricardo Carvalho afirma que a ajuda ao Rio Grande do Sul precisa “mirar pessoas”. Ele estudou os impactos das enchentes de 2008 no Vale do Itajaí (SC), que resultou em 135 mortos, e nos deslizamentos da Região Serrana Fluminense, em 2011, com mais de 900 óbitos. O que se viu nas duas situações é que as prefeituras das cidades atingidas receberam verbas para obras públicas, enquanto empresas e moradores ficaram desamparados, o que compromete o crescimento econômico por meio do desemprego e da queda do consumo no comércio. Ao comparar regiões atingidas por enchentes com as mais próximas que não foram tão impactadas, o pesquisador concluiu que o Produto Interno Bruto per capita (renda por habitante) levou três anos para se recuperar. Além disso, uma média de 317 empresas fechou as portas por ano nas cidades antes inundadas. Os negócios encerrados foram os micro e pequenos empreendimentos do varejo. O Governo Federal anunciou outras medidas, como prioridade de financiamento habitacional para quem teve o imóvel destruído. Apesar de louvável, essa medida tem limites. A começar pelo orçamento do crédito da casa própria, que já se sabe está longe de atender as condições do País e que geralmente sofre restrições orçamentárias. Por outro lado, essa população terá que apresentar alguma capacidade de pagamento. Haverá ainda outro temor, o de assumir um empréstimo sem condições de quitá-lo caso persistam as dificuldades econômicas. Por isso, o artifício do aluguel social pode ser bem útil na fase de recuperação. De qualquer forma, são novas necessidades que precisam de medidas apropriadas para o enfrentamento, cujo acerto vai ditar o ritmo da retomada gaúcha e do próprio País, pois haverá um impacto nacional.