[[legacy_image_290060]] Levantamento realizado pela Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), com base em dados da Defesa Civil do Estado, indica que as cidades da Baixada Santista estão com seus mapas de ação contra deslizamentos desatualizados. Em alguns casos, há mais de 15 anos. É o caso de Guarujá, que desde 2007 não tem seus dados atualizados no mapa, ou Santos, que fez sua última atualização em 2012. Segundo a instituição, os mapas de risco são necessários para que se mantenha no radar quais as áreas mais propensas a deslizamentos, assim como a população eventualmente atingida em caso de ocorrência. Fundada em 1977, a associação concentra, como o próprio nome diz, pesquisadores e cientistas ligados às diversas entidades, fundações e institutos paulistas de fomento à pesquisa, e tem em seu escopo o foco em produzir conhecimento para dar suporte a políticas públicas e ações governamentais que dependam dessa produção. Função legítima, correta e necessária, motivos pelos quais precisa, mesmo, cobrar informações que julgar necessárias na área da geologia e defesa civil. O que parece não fazer sentido, porém, é a desconexão de dados entre os diversos entes que produzem e concentram informações sobre os municípios paulistas. Em fevereiro do ano passado, a Secretaria de Estado da Infraestrutura e Meio Ambiente divulgou dados preliminares do Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), feito em conjunto com outras 11 pastas estaduais. O ZEE mapeou dados dos mais variados sobre as cidades paulistas, reunindo essas informações em plataformas com acesso público. Nesse mapeamento, a Região Metropolitana da Baixada Santista figura como crítica nos aspectos de segurança hídrica e preparo para as mudanças climáticas. A fragilidade decorre da questão habitacional, especialmente na encosta de morros, sem cobertura vegetal e com alto risco de deslizamentos, como os que ocorreram em março de 2020. Para os técnicos que apresentaram o ZEE naquele momento, a principal função dessa plataforma era reunir os dados mais relevantes sobre os municípios e deixá-los à disposição para políticas públicas. A partir desse momento, identificar áreas de risco não pode depender apenas do envio de informações por parte dos municípios. Além disso, já existem ferramentas tecnológicas que mapeiam áreas de risco a partir de satélite e georreferenciamento. O nível de precisão é tão alto que consegue comparar o avanço do desmatamento ano após ano. Para um tema tão caro à região, como o mapeamento de áreas de risco, é preciso sinergia entre todos os órgãos e entidades que geram informação e produzem conhecimento. Não parece haver falta de informação, mas produção isolada e falta de conexão. Ações efetivas e assertivas dependem de todos, ainda mais quando envolvem a ciência e o potencial que ela gera quando aplicada a problemas reais.