[[legacy_image_156843]] Nos últimos 30 dias, a Baixada Santista consolidou uma importante conquista em relação à covid-19, que é a redução de 73% das internações em enfermaria e UTI em todas as nove cidades. De 327 pacientes com a doença hospitalizados em 2 de fevereiro, eram 88 na quarta-feira passada, segundo apurou A Tribuna. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O resultado é atribuído pelos infectologistas à cobertura vacinal, que pelo esquema completo mais dose de reforço diminuiu de forma impressionante a gravidade dos sintomas. A inclusão das crianças de 5 a 11 anos no programa de imunização também foi importante para ampliar o cerco ao vírus, reduzindo o risco de contaminação de avós, a população hoje mais vulnerável, e funcionários das escolas. Houve ainda o fator da sorte, porque a variante Ômicron se manifestou de forma aguda, mas com ritmo de infecções rapidamente descendente. Basta relembrar que essa cepa se aproveitou do descuido dos brasileiros nas festas de fim de ano, espalhando-se em alta velocidade em janeiro, levando o caos ao sistema de saúde público e privado. Porém, queda das internações e manifestação de sintomas sem gravidade não significam que a covid-19 está controlada. O Ministério da Saúde, de forma precipitada, quer se antecipar à Organização Mundial de Saúde (OMS) e rebaixar a covid-19 de pandemia para endemia, quando a doença é vista como uma epidemia localizada em regiões e não globalmente. A tentativa é de não haver mais estado de emergência da doença, dispensando os protocolos de segurança, como uso de máscara e cobrança de comprovante de vacina. Trata-se de mais uma medida desnecessária, cujo efeito será confundir a população. Isso também poderá ainda gerar nova briga com governadores e prefeitos, com manifestação do Judiciário. O caminho certo é discutir com os profissionais de saúde e todos os entes da federação (União, estados e municípios) mais a rede privada antes de tomar uma medida já aventada como certa pelo presidente Jair Bolsonaro. Na próxima terça-feira, o Governo do Estado discutirá a suspensão da obrigatoriedade do uso de máscaras ao ar livre. A promessa do governador João Doria (PSDB) é seguir as decisões do comitê científico. O importante é não desestimular os cuidados da população contra a doença e não tomar decisões apressadas. Na semana passada, apesar da proibição dos desfiles de Carnaval, houve aglomerações em festas privadas e nos blocos clandestinos em vários pontos do País e agora é preciso agir na dosagem certa para não deixar brecha a uma nova onda de infecções da covid-19. Há muita ansiedade da população para retomar plenamente sua liberdade e as empresas de se reerguerem sem qualquer restrição, mas é fundamental garantir a derrota do vírus, ainda que não seja possível zerar os casos. As mortes continuam ocorrendo e o total diário ronda entre uma dezena e 15 na região, derrubando as dúvidas sobre a persistência do coronavírus.