( Reprodução/Pixabay ) O começo deste ano tem sido marcado por uma rápida piora das contas externas, estatística que considera as transações do Brasil com o mundo, portanto, consumindo dólares. Entre elas, balança comercial (exportações menos importações), envio de recursos das multinacionais para suas sedes e vice-versa, empréstimos no exterior, gastos com viagens e investimento estrangeiro direto no Brasil. Como há amplas reservas internacionais no Banco Central, de US\$ 330 bilhões, o País não deverá passar algum apuro sério em relação às operações com moedas globais, mas é bom deixar o alerta ligado. Conforme dados do Banco Central, o acumulado em 12 meses do déficit das contas externas atingiu US\$ 70 bilhões em fevereiro, chegando a 3,28% do Produto Interno Bruto (PIB), maior nível desde maio de 2020. Há um ano, a proporção era de 1,07%. Na prática, segundo o jornal Valor Econômico, o Investimento Direto no País (IDP, capital externo destinado à atividade produtiva, como fábricas e obras) financia as transações externas. Há um ano, essa conta equivalia a 2,89% do PIB e agora está em 3,38%, lembrando que o déficit saltou no mesmo período de 1,07% para 3,28%. O BC afirmou que essa relação (déficit e IDP) está “bastante sólida”. Deve-se lembrar que o saldo negativo foi influenciado pela compra da plataforma de petróleo mais cara da história nacional, de US\$ 2,7 bilhões, e de uma balança comercial menor, com importações em alta e exportação desacelerando. Neste último caso, poderá até haver uma piora durante o ano se a política tarifária do Governo Trump for mais impactante do que se imagina para o Brasil. Mas os economistas acham que essa rápida deterioração das contas externas avançou devido ao esforço do governo para acelerar o crescimento da economia. Isso vem do lado das importações, estimulada pelas compras das empresas para expandir ou modernizar seu maquinário, e também pelo consumo das famílias, reflexo do crescimento robusto do mercado de trabalho. Além disso, em reação à expansão acelerada do PIB, as viagens e seus gastos aumentaram e pessoas jurídicas e físicas ficaram mais dispostas a tomar empréstimos externos. Paralelamente há uma febre de fuga de investimentos financeiros brasileiros no exterior, em especial aos EUA. Esse movimento é estimulado por influenciadores de finanças, bancos e corretoras sob a alegação de diversificar a carteira para sofrer menos com a instabilidade no Brasil. A Selic, que pode atingir 15% neste ano, deve desacelerar a economia, o que desestimula os empréstimos externos e importações, e a supersafra deve expandir a entrada de dólares no País. Essas duas situações podem ajudar a equilibrar as contas externas. O que se pode concluir é que estímulos exagerados, como muita injeção de dinheiro público na economia, geram vários desequilíbrios, sob risco de causarem grandes estragos se não ocorrer uma arrumação a tempo.