[[legacy_image_282295]] O estudo de um segundo medicamento, que atrasa em 60% a progressão do mal de Alzheimer em pacientes na fase inicial da doença, representa mais uma vitória da ciência. Esta é uma prova de que os governos devem estimular os setores público e privado a investirem em pesquisa e saúde. O novo remédio tem a sua importância por combater uma enfermidade das mais debilitadoras, que atinge os idosos (mas também alguns mais jovens), o que tende a se tornar mais frequente devido ao aumento da longevidade no mundo todo. Portanto, o combate a essa doença é estratégico, não só pelo sofrimento das famílias, mas também pelo impacto crescente nos custos da saúde estatal e do atendimento privado. Até o momento há apenas dois remédios que se revelaram eficientes contra o Alzheimer: o japonês Leqembi, do laboratório Eisai, e o Donanemab, do americano Eli Lilly, cujos resultados são os publicados nesta semana. O próximo passo, em relação ao Donanemab, será a análise do Food and Drug Administrativo (FDA), equivalente americano da Anvisa, para depois começar a venda nos EUA. Aliás, a companhia diz que já vai preparar a documentação para solicitar aprovação de agências reguladoras de outros países. O laboratório americano divulgou seus resultados com base em 1,7 mil pacientes de Alzheimer. O produto adiou o declínio cognitivo ao longo de 18 meses em pacientes com taxas pequenas ou médias da proteína Tau, que é o marcador do avanço do Alzheimer. Mesmo nos casos mais avançados, o medicamento surtiu efeitos, mas de menor intensidade. Médicos alertam que o Donanemab e o Leqembi podem causar inchaço ou sangramento cerebral, o que impõe muita responsabilidade aos médicos em relação aos pacientes que efetivamente deverão ter acesso a tais medicamentos.Devido ao drama causado pela doença, é previsível que os familiares de pacientes aceitem correr riscos. Por isso, os estudos precisam ser observados com profundidade pelas autoridades e analisados por especialistas independentes antes de chegarem ao mercado. Mesmo assim, acredita-se que o percurso até a comercialização não demore muito, devido à rapidez com que a medicina moderna tem se mostrado nos últimos anos. No caso do novo medicamento do Alzheimer, cujo preço não foi mencionado ainda, até por sua etapa de análise não ter sido concluída, alguns especialistas temem pela barreira financeira. Não se trata apenas do custo comercial do produto. Esses medicamentos agem sobre a amiloide, cujo acúmulo no cérebro é um dos culpados pelo Alzheimer. Segundo médicos, o uso desses remédios exigirá uma repetição de exames para acompanhar eventuais efeitos colaterais, o que encarece o tratamento. Entretanto, como já se deu contra outras doenças, a tendência será de redução de custos conforme o uso ganhe escala e laboratórios concorrentes lancem seus produtos.