[[legacy_image_251636]] Não foi um tema muito explorado pela mídia, mas quem acompanha as questões ligadas à biodiversidade marinha, mudanças climáticas e assuntos relacionados à economia proporcionada pelos oceanos aplaudiu o acordo firmado no sábado, em Nova Iorque, por mais de 100 países no âmbito das Nações Unidades. Por ele, as áreas protegidas do oceano no chamado alto-mar saem do patamar de apenas 1,2% para 30%, o que significa dizer que a biodiversidade nessas águas ganha fôlego e proteção extras, especialmente nos quesitos da pesca, passagem de navios e a mineração em águas profundas, atividades exploratórias que, até 2030, terão fiscalização mais rigorosa. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O acordo é histórico e vinha sendo tentado há quase 20 anos pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. A primeira reunião foi realizada em 1994, mas as conversas foram paralisadas diversas vezes ao longo dos anos. Em linhas gerais, ampliar de 1,2% para 30% as áreas protegidas significa dizer que os países signatários talvez tenham que abrir mão de parcela de suas atividades exploratórias ou, ao menos, aceitar as regras e limitações que serão impostas pelo órgão fiscalizador. Em suma, significa mexer na economia e nos ganhos que esses segmentos representam para as nações. O acordo também chama a atenção para um bioma aquático que há muito tempo deixou de ser apenas um meio de transporte de mercadorias ou habitat de uma fauna e flora muito específicas e diferenciadas. Os oceanos são, antes de tudo, imprescindíveis para a manutenção do equilíbrio climático, na medida em que o grande volume e a alta capacidade térmica da água fazem com que sejam reguladores do clima, reduzindo as diferenças de temperatura e criando um ambiente propício para a vida em quase toda a superfície da Terra. Desse ecossistema fazem parte a fauna e flora marinhas, ameaçadas com atividades sem regulação e fortemente impactadas com o aquecimento global. O foco do acordo são as regiões de alto-mar, aquelas que estão fora do controle dos países, a mais de 370 quilômetro da costa. Áreas de alto-mar correspondem a quase metade da superfície do planeta, motivo pelo qual merecem atenção especial por parte dos governos. Comprometer essas águas de forma irreversível significa, antes de tudo, reduzir a atividade econômica, comprometer o equilíbrio ambiental, dificultar o cumprimento dos acordos do clima e acelerar a deterioração da vida na terra. Ao lado dos fóruns mundiais que buscam a adesão dos países pela redução das emissões de gases de efeito estufa, o acordo dos oceanos sela uma consciência sobre o papel de cada nação na manutenção de um bem que é coletivo. A Organização das Nações Unidas decretou 2021-2030 como a Década dos Oceanos, período para que países e cidadãos tomem ciência sobre a importância dos mares para a Terra. O acordo de sábado é passo significativo nesse sentido.