[[legacy_image_334774]] Assim como décadas atrás a China ajudou a conter a inflação do mundo com produtos baratos, o país asiático poderá neste ano causar efeito parecido, estimulando os bancos centrais a anteciparem a redução de suas taxas de juros básicos, segundo economistas e reportagens. O que parece ser uma possibilidade muito positiva para consumidores do mundo todo, também multiplica o desafio da competitividade, especialmente no caso do Brasil. Por aqui, permanece a dificuldade de produzir com custos que possam fazer frente aos preços internacionais em meio a uma série de ineficiências – carga tributária elevada, burocracia, corrupção, má formação escolar, crédito caro e pouco acessível e infraestrutura defasada. O governo anterior fez algumas reformas pontuais e o atual completou com a tributária, além de lançar uma política industrial. Entretanto, tudo isso leva tempo para fazer efeito. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Portanto, as mudanças adotadas precisam ser continuadas e as ainda em discussão ou planejamento devem ser aceleradas. Em uma economia movida a inovações tecnológicas, a educação se tornou estratégica e, assim, o Governo Federal, os estaduais e os municípios precisam ser mais dinâmicos, superando divergências políticas – o ritmo atual da tomada de decisões é muito lento perante o acontecimentos no mundo. Décadas atrás, a China se tornou a indústria do mundo ao baixar seus custos por dispor de mão de obra abundante e barata. Hoje, essa vantagem se perdeu pela competição de economias mais pobres, como Bangladesh e Vietnã. Agora, o impacto chinês no mundo poderá se dar por meio de excesso de produção e ao chinês que, desconfiado de seu governo, prefere poupar a gastar. Com isso, no ano passado, de roupas à geladeira, ao computador e à TV, os preços caíram até 10%. Assim, o excedente será escoado para países menos competitivos e sem barreira comercial. Outro exemplo é o aço, que na China perdeu compradores com a crise profunda do setor imobiliário. No Brasil, as siderúrgicas reclamam da entrada do insumo a valores que não conseguem competir. O setor automobilístico, não só no Brasil, mas no mundo todo, está impressionando com o crescimento da produção de veículos eletrificados da China. Pelo menos, no Brasil, montadoras chinesas investem na produção. Os diversos movimentos na economia ao longo das décadas indicam que os países precisam estar prontos para aproveitarem as chances do momento. No caso brasileiro, o sucesso do agronegócio vem da abundância de terras associada à tecnologia proporcionada pela Embrapa e a demanda chinesa por produtos agropecuários. Mas ao mesmo tempo a indústria encolheu por falta de investimentos e uma série de fatores, como a capacitação da mão de obra, que depende da qualidade do ensino. A receita para os acertos é bem conhecida e ainda falta muito para o País avançar dessa forma.