[[legacy_image_214231]] Finalmente o Banco Central (BC) passou a acompanhar com um olhar de gravidade a onda de crimes relacionada ao sistema de pagamento instantâneo Pix. A violência empregada por bandidos e os relatos dramáticos das vítimas impõem uma urgência e medidas muito duras. Além do risco de roubos virtuais a que os usuários estão sujeitos, espalharam-se os atos mediante ameaça física nos quais os correntistas são obrigados a colaborar para salvar a própria vida. Nessas situações, a ação da polícia na investigação e repressão é a solução final, mas a Autoridade Monetária, em conversa com as instituições financeiras, pode aperfeiçoar as barreiras tecnológicas para frustrar quadrilhas especializadas ou bandidos que tomam os celulares desbloqueados ou exigem senhas. Deve-se lembrar que há uma proliferação de fintechs (startups financeiras) e um mesmo telefone pode abrigar múltiplos apps. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O BC ainda não bateu o martelo sobre as mudanças, mas indicou caminhos, como desenvolver ferramentas para fazer uma espécie de carimbo na transmissão forçada de valores. Segundo as discussões do BC com os bancos em fórum realizado apenas para discutir medidas relacionadas ao Pix, os criminosos se habituaram a enviar imediatamente os valores da vítima para várias contas, dificultando o rastreio pelo próprio correntista ou profissionais da investigação ou mesmo da instituição financeira. O BC pretende que seja implantado um sistema que vai notificar imediatamente quando ocorrer a ramificação de valores de um só correntista para vários. Por esse mecanismo, o sistema financeiro bloquearia até a quinta camada de distribuição desse dinheiro em até 30 minutos após o recebimento. Isso impediria a consumação do roubo e permitiria rastrear todo o crime. Outro ponto importante a merecer atenção é a participação de laranjas, correntistas que emprestam seus dados como receptadores, um tipo de crime associado a sequestro que já foi registrado na Baixada Santista. Para isso, a Autoridade Monetária quer uma participação mais ativa dos bancos. A ideia é tornar mais rigorosa a abertura digital de conta – hoje, o futuro cliente envia todos os seus documentos de forma on-line, sendo aprovado rapidamente. Os bancos também querem controlar o limite de movimento por Pix por entenderem mais dos hábitos de seu cliente, algo que já ocorre hoje com o cartão de crédito, cheque especial e crédito parcelado, entre outras linhas, na qual a instituição diz quanto se pode usar. Hoje, no caso do Pix, quem define isso é o próprio cliente, que não tem reduzido seu teto de uso para as madrugadas, horário em que os crimes podem ocorrer. A decisão do BC merece todo o apoio e se espera que os bancos participem com rigor. Essas medidas precisam ser acelerados e sair ainda neste ano, pois no período de festas os crimes devem aumentar, ainda mais com a volta do consumidor às ruas.