O Porto de Santos é, há décadas, um dos maiores patrimônios econômicos do Brasil. Líder na movimentação de cargas da América Latina, sustenta cadeias produtivas, gera milhares de empregos e impulsiona o desenvolvimento muito além dos limites da Baixada Santista. Justamente por sua relevância, é indispensável que exista uma relação harmoniosa entre o porto e a cidade, na qual a infraestrutura urbana acompanhe a importância estratégica dessa atividade. Um complexo portuário de padrão internacional não pode conviver com acessos precários, gargalos logísticos e deficiências básicas de zeladoria em seu entorno imediato. É justamente esse contraste que continua marcando o Distrito Industrial da Alemoa. Há décadas, a região enfrenta problemas estruturais conhecidos, que vão da pavimentação deteriorada à drenagem insuficiente, passando pela falta de manutenção preventiva e de serviços regulares de zeladoria. Não se trata de uma reclamação inédita nem de um episódio isolado, mas de uma deficiência crônica em um bairro por onde circulam diariamente cerca de 15 mil caminhões e que desempenha papel essencial para o maior porto do País. É justo reconhecer que a Prefeitura vem realizando ações de limpeza, capinação e recuperação asfáltica em alguns trechos. A reabertura da Rua dos Italianos demonstra que intervenções são possíveis e produzem resultados. Mas também evidencia outro problema: elas quase sempre ocorrem depois que a deterioração já atingiu níveis críticos. Não é esse o padrão de gestão que uma área estratégica como a Alemoa merece. Associações empresariais, transportadoras e terminais têm reivindicado apenas o básico. Não pedem privilégios, incentivos ou obras monumentais, mas apenas o essencial: coleta de lixo, varrição, drenagem eficiente, pavimentação adequada e manutenção preventiva. Em outras palavras, zeladoria. É inadmissível que um dos principais polos industriais e logísticos do País tenha de mobilizar suas entidades representativas para solicitar aquilo que deveria integrar naturalmente a rotina do poder público. O poder público não pode esperar que buracos se transformem em crateras, que galerias entupidas provoquem alagamentos ou que ruas precisem ser interditadas para, só então, agir. Manutenção preventiva não é um luxo. É uma obrigação administrativa e uma medida de eficiência econômica. Ao mesmo tempo, é evidente que o problema não será resolvido apenas com operações tapa-buracos. A própria dinâmica da Alemoa mudou. A malha viária urbana nunca foi concebida para suportar o intenso fluxo diário de veículos pesados. Por isso, a discussão sobre um acesso rodoviário direto ao Porto precisa deixar a fase dos estudos e ganhar cronograma, recursos e prioridade política. Essa é a solução definitiva que a região espera há anos. Até que ela saia do papel, porém, não há justificativa para aceitar o abandono periódico das vias existentes. Esse tempo já deveria ter acabado.