Fortalecimento do fenômeno El Niño vai influenciar o clima na região (Vanessa Rodrigues/AT) Preocupado com risco de enchentes e deslizamentos nos próximos meses, o governo peruano decretou estado de emergência em 800 cidades diante do temor com o El Niño. No Brasil, as defesas civis têm discutido seu retorno, enquanto o mercado financeiro espera mais inflação devido à possível destruição de lavouras por chuvas, seca ou incêndios. Também há preocupações com alta do custo da energia, causada por reservatórios das usinas hidrelétricas em níveis já reduzidos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Esse quadro de preocupações mostra que a estratégia dos países é lidar com os efeitos do El Niño, com a desvantagem de não saber com precisão qual região será efetivamente arrasada por temporal ou estiagem. Aliás, o calorão arrasador na Europa e Estados Unidos dá uma amostra do que poderá ocorrer no Hemisfério Sul. Porém, o certo seria trabalhar pelo lado da prevenção. Mas a transição das energias fósseis para as renováveis segue lenta e o consumismo continua degradando o meio ambiente, principalmente por meio do descarte de lixo, com a reciclagem sem conseguir atenuar esse problema. A conscientização sobre o perigo das mudanças climáticas e o que fazer já avançaram bastante, mas mudar comportamentos sociais e a produção de alto uso dos insumos não renováveis (como minérios e petróleo) ainda não atingiu o grau esperado. Por exemplo, países como Brasil, Estados Unidos e China adotaram estímulos fiscais para acelerar a troca da frota de veículos poluidores pelos elétricos. Entretanto, alguns governos passaram a cobrar impostos para melhorar a arrecadação, alegando que essa transição já atingiu certo nível. Para piorar, parte desse mercado está envolvido em uma imensa briga entre montadoras para dominar as vendas, inclusive com apoio de medidas protecionistas, com a urgência ambiental relegada à importância secundária. Conforme a Organização Meteorológica Mundial (OMM), ligada às Nações Unidas, o El Niño deve se intensificar entre este mês e setembro, manifestando-se com força no fim do ano ou em 2027. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento das águas equatoriais do Pacífico. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Brasil, afirma que, em junho, as temperaturas dessas regiões do Pacífico já estavam ampliadas em 2 °C, um padrão típico do El Niño. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, órgão do Governo Federal, prevê efeitos severos em ampla parte do País, como seca prejudicando a navegação na Amazônia, problemas de energia no interior do Nordeste, calor e poucas chuvas na época do plantio de soja e milho no Centro-Oeste e inundações nas cidades e solo encharcado dificultando a agricultura no Sul. Segundo a OMM, o fenômeno climático se manifesta a cada período de dois a sete anos, durando entre nove e 12 meses. Ele tende a ficar mais intenso e ocorrer em prazos cada vez mais próximos. Sem prevenção ambiental, não haverá como enfrentá-lo.