[[legacy_image_163133]] A decisão da Prefeitura de Santos de construir um projeto habitacional com 574 apartamentos de baixa renda em área vizinha ao Ilhéu Alto, na Zona Noroeste, é uma injeção de ânimo no enfrentamento às condições indignas de moradia na Cidade. Iniciativas como essa não podem ser exceção. Precisam se multiplicar para levar para toda a população a tão falada qualidade de vida de Santos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O empreendimento é resultado da doação de um terreno de 63 mil metros quadrados da União ao Município. A área é conhecida como Prainha do Ilhéu, na Avenida Jornalista Armando Gomes, em uma região de dura realidade social, repleta de palafitas e favelas. Segundo a Prefeitura, a implantação do projeto começa neste ano pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), do Governo do Estado, que tem experiência naquele trecho. Em 1998, a CDHU entregou 504 apartamentos no Ilhéu Alto, cujos ocupantes foram escolhidos por meio de sorteio realizado no estádio da Portuguesa Santista pelo então governador Mario Covas. Uma parte das unidades também foi destinada aos moradores da Vila dos Criadores como forma de eliminar essa favela, que crescia junto ao lixão da Alemoa, na saída de Santos. Infelizmente, os investimentos em habitação de baixíssima renda não avançaram. Conforme A Tribuna publicou no último dia 13, esse núcleo populacional renasceu e agora já tem 4 mil moradores. Com esse triste exemplo, fica claro que o novo empreendimento anunciado pela Prefeitura, por mais que seja louvável, é insuficiente para combater o déficit habitacional. A oferta de moradias para os muito pobres é um desafio. Devido à falta de renda ou subempregos dessas famílias, o que gera inconstância nos pagamentos das prestações ou mesmo incapacidade para efetuá-los, há uma necessidade de pesados subsídios. Porém, desde o Governo Dilma Rousseff, houve um corte de verbas nessa área, resultado da deterioração das contas públicas. Essas famílias eram atendidas pela faixa subsidiada do Minha Casa, Minha Vida, que ficou inoperante devido a recursos insuficientes. O programa foi transformado no Casa Verde e Amarela, que também não supre os mais necessitados. Na prática, persistiram desde a época de Dilma as faixas que não dependem de tantos subsídios. No caso da profunda pobreza, até agora não se viu uma solução via empreendimentos privados. Dessa forma, os governos precisam investir direto na habitação dos miseráveis ou famílias com rendas estáveis, mas ainda muito baixas para acessarem financiamentos bancários. O futuro conjunto habitacional de Santos e os demais lançados nos últimos anos na região estão longe de resolver um dramático problema social, que é nacional. Frente a isso, ainda falta um programa amplo que consiga levar qualidade de vida por meio da moradia aos bolsões de miséria das metrópoles e das cidades médias.