( Marcello Casal Jr./Agência Brasil ) A riqueza de cidadãos pelo mundo emplacou em 2025 o terceiro ano consecutivo de crescimento, refletindo em um número maior de milionários em dólares (pessoas físicas com patrimônio acima de US\$ 1 milhão), segundo um estudo do banco suíço UBS. Os dados coincidem com o aumento da preocupação com os endinheirados cada vez mais ricos, com concentração de renda, inclusive em economias desenvolvidas, como os Estados Unidos. Também se discute o risco desse topo influenciar ou se aliar a políticos, ameaçando a democracia pelo mundo. Alguns governos, como o brasileiro, defendem taxar fortunas, algo difícil devido à sonegação em muitos países e à possibilidade de debandada para onde há baixas taxações. Por outro lado, tributar mais não é uma garantia de distribuir renda, havendo a possibilidade de um Estado com a receita inflado gastar mal, travando a expansão da economia. De acordo com o estudo do UBS, em 2025, o Brasil contava com 386 mil pessoas físicas com patrimônio superior a US\$ 1 milhão. Desse total, 43 mil tinham entre US\$ 5 milhões e US\$ 100 milhões. Em quantidade de milionários, o Brasil lidera na América Latina, pouco à frente do México, com 333 mil. A Argentina não aparece no relatório, que investigou 56 países. O desempenho brasileiro, o 19º da lista, é muito inferior aos dos dois líderes, os Estados Unidos, com 23,627 milhões de milionários e a China, com 5,3 milhões. O Japão aparece a seguir, com 2,9 milhões. O total atribuído ao Brasil não é dos mais impressionantes, mas estatísticas o apontam entre os países de maior concentração de renda. Ele fica atrás somente de Emirados Árabes Unidos, Rússia e África do Sul, segundo o coeficiente de Gini, que mede o grau de desigualdade em uma determinada população. O estudo suíço revela uma prosperidade robusta, que ajuda no crescimento mundial, pelo menos por meio do consumo dos mais ricos. Entretanto, fica o risco de haver uma contínua concentração da riqueza. Nos EUA, essa preocupação está associada ao desenvolvimento do setor de tecnologia, em detrimento dos segmentos tradicionais, como a indústria. Por exemplo, a abertura de capital da empresa de foguetes espaciais de Elon Musk, a SpaceX, criou 4 mil milionários e 20 bilionários, tornando Musk o primeiro trilionário. Esses 4 mil são em geral funcionários da empresa, um dado até positivo. Porém, a chegada da empresa à Bolsa tirou recursos de investidores que estavam em outros mercados, inclusive na Bolsa brasileira, e em outros emergentes e ativos, como criptomoedas. No Brasil, a concentração de renda é histórica, com o combate à desigualdade dependendo do fim das vantagens de setores da sociedade, à melhora da educação, esta a principal medida, e à estabilidade econômica. O controle da inflação e o corte de gastos públicos são fundamentais para reduzir os juros, popularizando o crédito e estimulando os pequenos negócios.