[[legacy_image_235432]] Com a experiência de dois mandatos, espera-se que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva consiga em sua terceira gestão cumprir suas promessas, ao mesmo tempo aumentar as taxas de crescimento do País e, enfim, tornar a vida dos cidadãos e o dia a dia das empresas mais estáveis. Entretanto, as incertezas moldam o momento e isso não é só uma questão brasileira. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Inflação e juros altos são uma problema mundial, associado à guerra da Ucrânia, sem fim previsto. Internamente, muito pode ser feito para atenuar os impactos externos e melhorar os desempenhos econômico e social do País. Por suas declarações desde a campanha eleitoral, reforçadas pelos discursos da posse, Lula optou pelo intervencionismo estatal para fazer o Brasil deslanchar, enquanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, promete seguir a cartilha da austeridade fiscal. Entretanto, um Estado gastador não combina com o controle rígido das contas públicas. Eis aí o motivo de incertezas para os agentes econômicos. Durante a campanha, economistas renomados, que já tinham anunciado apoio a Lula, alertaram que o gasto em benefício dos mais pobres depende de uma boa gestão fiscal – após uma arrumação de casa para depois investir onde for prioritário. É assim com qualquer família ou empresa, cortando gastos e pagando dívidas para depois realizar seus sonhos. Sem isso, os bancos veem risco de calote e, assim, cobram juros mais altos para cobrir eventuais perdas no futuro. No caso do governo, esse processo se torna primordial, pois erros de percurso arrasam toda a sociedade, desde os inadimplentes a quem ordeiramente honrou seus compromissos. A atual gestão, antes mesmo de tomar posse, alterou a Constituição para garantir o pagamento do novo Bolsa Família. Essa medida permite gastar mais sem contrariar a lei, mas a verdade é que esse dinheiro será obtido mediante empréstimos em um momento de juros altos. Isso porque não há previsão de grande aumento de receita, pois o Produto Interno Bruto deve se expandir ao redor de 0,5% neste ano. Para piorar, há inúmeras demandas, como investir em infraestrutura para gerar emprego, produzir casas próprias subsidiadas para a baixa renda, financiar mensalidades da universidade do mais pobres e melhorar a saúde pública, além de uma pressão explosiva por reajustes do funcionalismo. As incertezas são tão profundas e economistas dizem que Lula terá muitas dificuldades por estar em um mundo bem diferente do que o de duas décadas atrás. Outros analistas acham que o presidente terá sorte de novo, pois viria um novo ciclo de valorização de commodities em caso de fim da guerra da Ucrânia e da covid. Entretanto, é preciso ter os pés no chão – gastos públicos em expansão com juros elevados formam uma combinação explosiva. Os economistas dizem que o Brasil já se aproximou várias vezes do precipício sem cair nele. Na próxima, qualquer descuido poderá ser fatal.