[[legacy_image_338101]] Os economistas de 66 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo jornal Valor estimam que o Produto Interno Bruto (PIB) do último trimestre do ano passado cresceu 0,1%. O resultado parece pífio, mas se trata de uma reversão de expectativa, que era de queda. Além disso, alguns desses analistas dizem que o País permanece em ritmo de expansão moderada também entre janeiro e março. Portanto, o Brasil segue em um movimento de retomada, menos forte do que desejam os desenvolvimentistas e o PT, que mira resultados eleitorais de curto prazo. Sem uma disparada estimulada, por exemplo, por derrubada de juros e despejo de capital público na economia, reduz-se o risco da demanda pressionar a oferta e estimular a inflação. O retrato do ano passado, ressaltam economistas, foi de um País em momento positivo ímpar da macroeconomia, que é crescimento do PIB, inflação em queda e câmbio estabilizado, além da melhora do mercado de trabalho. Já a balança comercial fechou 2023 com saldo perto de US\$ 100 bilhões, não apenas com a expansão estupenda do agronegócio, mas com o petróleo do pré-sal se tornando um dos principais itens da exportação brasileira. Trata-se de uma importante conquista – basta relembrar a primeira metade dos anos 1980, quando o País dependia de empréstimo externo para importar petróleo para o mês seguinte. Mas a análise sobre a economia deve ser feita sem festa, pois há muito a ser melhorado, e as conquistas precisam ser preservadas, pois há tendências desfavoráveis. Por exemplo, ainda não se tem certeza se a inflação está controlada nos Estados Unidos, e duas economias importantes, Alemanha e Japão, entraram em recessão. Já a China, continua crescendo, mas muito desaceleradamente, sob a possibilidade de sofrer com a crise profunda de seu setor imobiliário. Há dois pontos fundamentais para que o PIB continue avançando. Um deles é o gasto público, algo muito delicado, pois o Governo Lula foi eleito com base na promessa de encorpar programas sociais, do Bolsa Família ao Minha Casa, Minha Vida. Mas está claro que não há recursos para sustentá-los totalmente. O outro lado, que também tem relação com a gestão das finanças federais, pois envolve juros (se o governo gastar demais e precisar emprestar da sociedade, o mercado cobrará taxas mais altas), é o crédito. O Desenrola estimulou a renegociação das dívidas e os bancos fizeram ajustes internos contra a inadimplência. Se, por um lado, isso tornou os empréstimos mais restritos, por outro o segmento de empréstimo poderá voltar a funcionar de forma mais saudável. Este ano deve ter comportamento parecido com o de 2023, como o agronegócio crescer com força no primeiro semestre por sua natureza sazonal, impulsionando os serviços. Já este último setor, mais a indústria e o consumo das famílias, contarão com uma taxa Selic próxima de ficar abaixo de dois dígitos, o que será uma excelente notícia.