( Matheus Tagé/AT ) O mercado de trabalho permanece avançando em ritmo vigoroso, condição importante para sustentar a recuperação do Produto Interno Bruto (PIB), apesar dos economistas alertarem que esse ritmo significa mais pressão sobre a inflação. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na última terça-feira, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho, que apura apenas as contratações formais (com registro em carteira), apontou a criação de 201 mil vagas no País em junho e 1,3 milhão no primeiro semestre. Na Baixada Santista, A Tribuna levantou que foram criados, respectivamente, 1,5 mil e 6,7 mil postos. Na região, na comparação com igual período do ano passado, houve aumento de 408% e 145%. No País, a alta foi de 30% na comparação mensal e de 26% na semestral. Para tirar dúvidas do vigor do mercado de trabalho, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem que a taxa de desemprego atingiu 6,9% no trimestre encerrado em junho. Há um ano esse índice estava em 8% e, no auge da pandemia, de 2020 a 2021, chegou ao pico de 14%. Essa pesquisa traz um retrato mais completo do emprego no País, pois considera o lado informal – sem registro em carteira. A informalidade persiste como um sério problema econômico, pois é marcada pela precariedade, aliás, o que prejudica a arrecadação da Previdência Social. O IBGE identificou 39,3 milhões de informais – 38,6% da população ocupada. O percentual impressiona, mas há um ano era de 39,2%. Uma das tendências do mercado de trabalho em expansão é a migração de mão de obra sem carteira para a contratação registrada, geralmente com melhores salários e aumenta de receita da Previdência. Porém, não se pode mais olhar para as estatísticas do emprego como há alguns anos, pois a tecnologia alterou as relações de trabalho e também as aspirações dos mais jovens. Hoje, muitos trabalhadores preferem atuar sem vínculo, principalmente no caso dos aplicativos, ou buscam atividades de profissionais liberais para administrar seus próprios horários, acumular funções para aumentar a renda ou garantir o conforto do home office. Há questões paralelas, como isso ser consequência da insatisfação com baixos salários, ou enfraquecer a Previdência Social. Se por um lado o futuro da sustentação das aposentadorias fica ameaçado, por outro, muita gente poderá enfrentar falta de renda em caso de acidentes e doenças – ambos problemas de sérios reflexos sociais. O ideal seria que as migrações do mercado de trabalho fossem reflexo da melhora da qualidade do ensino, com trabalhadores mais capacitados buscando empregos de melhor qualidade. Mas não se vê um movimento nesse sentido. A oferta de emprego passa por uma forte retomada, mas as falhas na formação educacional e os problemas econômicos estruturais impedem os brasileiros de usufruírem na íntegras os impactos positivos nas novas tecnologias nas empresas.