[[legacy_image_246008]] Tema controverso e que divide opiniões, o Programa Mais Médicos, criado pela ex-presidente Dilma Rousseff em 2013, volta à pauta neste início de Governo Lula. O Ministério da Saúde anunciou que ampliará o programa, privilegiando graduados em território nacional, mas mantendo os profissionais formados no exterior sem diploma revalidado. O ministério descartou, por ora, um novo acordo de cooperação com o governo de Cuba para trazer profissionais cubanos, principal foco de discussão na versão original do programa. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A nova gestão federal estuda ainda oferecer cursos de pós-graduação e especialização aos participantes como forma de atrair mais brasileiros a partir dos próximos editais do programa. Mesmo sem nada formatado ainda e sem um desenho claro de como será a versão final do novo programa, entidades médicas já se posicionam contrárias à ampliação por meio de ingresso de médicos formados no exterior sem o Revalida, a prova de proficiência feita no Brasil para atestar a qualidade do profissional. Há bons argumentos de ambos os lados, governo e entidades médicas, motivo pelo qual o Ministério da Saúde deveria chamar, antes de qualquer iniciativa, os que militam na área para entender suas razões, preocupações e, até mesmo, ouvir sugestões e compromissos. Associações, sindicatos e conselhos alegam que o ingresso de médicos sem o Revalida abre precedente para que maus profissionais ingressem em um mercado já bastante afetado pela qualidade de médicos nem sempre bem formados pelas universidades brasileiras. Alegam, ainda, que de nada adianta levar médicos aos rincões esquecidos do Brasil sem garantir a eles infraestrutura, leitos hospitalares e condições adequadas de trabalho. E eles têm razão. Porém, é preciso admitir que a melhora da infraestrutura não se dará do dia para a noite, e alguns lugares carecem de profissionais de forma emergencial. As aldeias indígenas são bom exemplo dessa situação. Jair Bolsonaro substituiu o Mais Médicos pelo Médicos pelo Brasil, mas também não conseguiu ampliar o número de profissionais nos locais onde a vacância é maior. Hoje, são 8.321 profissionais atuando pelo Mais Médicos e 5.515 pelo Médicos pelo Brasil, que só aceita quem tem registro profissional no País. Somados, os dois grupos ainda não são suficientes para dar conta da demanda nas regiões de maior vulnerabilidade socioeconômica, onde faltam de vagas hospitalares a aparelhos e laboratórios para exames. A pandemia só fez piorar esse quadro. O embate permanente não interessa ao Brasil, que tem uma das maiores quantidades de faculdades de Medicina e, ainda assim, concentração de profissionais nos grandes centros. Melhor será debater a questão de forma coletiva, arrancando compromissos de quem defende a categoria, e exigindo melhores condições estruturais, salariais e profissionais do governo.