Foto ilustrativa (Divulgação/ Governo do Estado de São Paulo) O Ministério da Saúde começará a aplicar em maior escala, a partir do próximo semestre, a Butatan-DV, imunizante brasileiro contra a dengue, conforme A Tribuna publicou ontem. Trata-se de uma medida de grande importância no combate à doença. Ainda não definitiva, porque a vacina não tem efeito contra zika e chikungunya, lembrando que somente a eliminação total do mosquito transmissor Aedes aegypti acabaria de vez com os problemas causados pela dengue. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Como o nome indica, a vacina tem origem no Instituto Butantan e será aplicada em dose única para a faixa dos 15 aos 59 anos, começando pelos mais velhos e avançando para os mais jovens, conforme a capacidade de produção. Para este ano, serão destinadas 314 mil unidades para o País e 124,6 mil para o Estado, indicando que o acesso ainda não será para todos os brasileiros. Agora, o governo tem imunizado somente os profissionais de saúde, com 6.050 doses para a Baixada Santista – quase metade já aplicada. A vacina contra a dengue não é inédita no mundo. Porém, a Butatan-DV é a primeira em dose única, facilitando a aplicação em massa. O mais curioso é que a doença, apesar de ter sido identificada há décadas, era uma das últimas infecções importantes do mundo sem imunizante, quadro esse que mudou somente nos últimos 12 anos, com alguns críticos apontando alguma relação com a incidência geográfica majoritária em regiões pobres. Não há uma resposta definitiva para isso, mas a verdade é que alguns países de registro da infecção subiram de patamar econômico e científico, como o Brasil, com mais condições de investir em pesquisa. O que impressiona é que o mosquito transmissor já é encontrado em regiões dos países ricos, onde o Aedes albopictus, de origem asiática, também atua como vetor. Aliás, neste ano, autoridades de saúde europeias têm realizado campanhas com cartazes nas ruas contra os insetos, em uma situação similar à do Brasil, que, inclusive, perdeu essa batalha. Isso porque o Aedes aegypti passou a ser registrado de volta pelo menos em Santos e no Rio de Janeiro entre os anos 1980 e 1990, causando grande preocupação. Nessa época, dizia-se que a disseminação do inseto não ocorria na Capital e regiões montanhosas devido à temperatura amena. Entretanto, ele se adaptou e provavelmente o aquecimento climático colaborou para isso, o que também explica a presença dos Aedes na Europa, onde as temperaturas próximas e até superiores a 40°C se tornaram previsíveis no verão. O sucesso da Butantan-DV vai depender da conscientização da população, porque campanhas de outras imunizações têm registrado baixa adesão e há um movimento antivacina nas redes sociais que espalha inverdades. Por isso, o combate ao mosquito continuará extremamente importante, ressaltando que em alguns anos as epidemias de dengue voltam com muita força, causando cada vez mais mortes. E agora há o grave problema adicional de zika e chikungunya.