O resultado do primeiro turno, com o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o avanço da direita no Congresso e nos estados refletem uma insatisfação em alto grau do eleitorado. O vencedor terá que dar respostas objetivas a esses anseios, e não somente ficar na guerrilha que marcou a campanha, do antipetismo ou antibolsonarismo, em detrimento de discutir propostas de governo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ainda sem o resultado da próxima votação, já há uma situação concreta, a de que o Congresso ficou ainda mais conservador, que o PL de Bolsonaro conseguiu uma bancada bem mais folgada e de que, se Flávio vencer, poderá fazer composições para interferir no Supremo Tribunal Federal (STF). Entretanto, isso também manterá o poder do centrão e dos partidos que aceitarem fazer uma coalizão com o vencedor. No caso de Lula sair vitorioso, ele terá mais dificuldades para governar do que em sua atual gestão. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, elogiado por sua estratégia política, errou ao apostar no avanço do centro. Quem cresceu mesmo foram os radicais, inclusive da esquerda, como é o caso do PSOL, repetindo o que se vê na Europa. Os extremos conquistam cada vez mais cadeiras nos parlamentos e os partidos tradicionais perdem muito espaço. O Legislativo seguirá forte e não deverá abrir mão de sua influência com pragmatismo, valendo isso para qualquer um dos dois que assumir o Palácio do Planalto. Ainda não ficou claro até que ponto o Congresso estará disposto a fazer mudanças profundas no STF, de impeachment a reformas estruturais. A Corte, apesar de seu desgaste, falhas inaceitáveis e caos interno, é um poder que levou décadas para se consolidar, e o Parlamento poderá ser tentado a fazer alterações moderadas. Além disso, a recusa ao preferido de Lula para o STF, o advogado-geral Jorge Messias, primeiro rejeitado ao cargo em 132 anos, parece ter animado o Senado a aumentar sua ingerência nesse processo. Não apenas com a sabatina e votação, mas também com a escolha de nomes. Há ainda outra incoerência em relação ao STF que tanto Jair Bolsonaro quanto Lula se serviram, o de nomear ministros fiéis, deturpando o papel do Judiciário no equilíbrio dos poderes e na imparcialidade. Portanto, independentemente de quem será o próximo presidente, o STF estará no centro da política, sob risco de causar instabilidades e tirar do foco temas importantes para o País. O desfecho também vai depender das relações dentro da própria direita. Por exemplo, se haverá confronto, considerando que seus quadros ficaram maiores, assim como a diversidade de opiniões e a ambição pelo poder. Mas o eleitor passou o recado de que exige respostas para suas prioridades na segurança, economia, saúde e educação. A insatisfação recente com governos recém-eleitos, como no Chile e na Europa, demonstra impaciência e cobrança por resultados rápidos.