Imagem ilustrativa (Freepik) O aumento da violência pelo crime organizado no Chile, e as consequentes condenações pesadas de seus integrantes são mais um indicativo da expansão das máfias de ação transnacional. Problema antigo na Colômbia, América Central e principalmente no México, os cartéis e gangues avançaram para os Estados Unidos e partes da América Latina, mas organizações similares também se desenvolveram no Brasil, na Venezuela e no Equador. De forma também ampla, as máfias italianas e do Leste Europeu também expandiram seus negócios no Brasil, muitas vezes associadas a facções brasileiras. Localmente, além das atividades com tráfico de drogas, sequestros e roubos a bancos e empresas, essas organizações realizam extorsões, como cobrança de proteção a comerciantes e tráfico sexual. Também há a infiltração em burocracias dos governos, conforme reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, inclusive assumindo serviços públicos, como transporte público. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A organização criminosa por meio das máfias não é uma novidade, avançando pelo menos a partir do século 19, nos casos mais famosos, na Sicília e em Nova Iorque. Agora têm uma atuação transnacional com a ajuda de novas tecnologias tanto na comunicação como na transferência de dinheiro, ambas mais rápidas e de difícil rastreamento. Também há uma rápida expansão geográfica para regiões até então menos violentas e de baixa presença policial. No caso do Brasil, das facções como PCC e Comando Vermelho, respectivamente em São Paulo e Rio de Janeiro, surgiram várias outras no Nordeste e Norte, com atuação nos vazios da Amazônia e em cidades pequenas enriquecidas pelo agronegócio no Centro-Oeste. No Chile, assustado por casos recentes de mutilações e esquartejamentos, os promotores se aproveitaram das anotações de preços e despesas, típicas de organizações criminosas, para investigá-las. Descobriu-se a atuação de facção venezuelana em Arica, no extremo norte. No Brasil, os promotores, notadamente paulistas, se especializaram no combate ao crime organizado. Entretanto, se as facções continuam em expansão, não estão sendo devidamente reprimidas, assim como uma legislação mais dura não avança no Congresso. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, apresentou uma proposta de reforma, alegando que as organizações têm atuação nacional e combate individualizados por estados, o que dificulta a troca de dados e união das polícias para enfrentamento mais efetivo. O que se tem de concreto é que a expansão do crime organizado corrói a sociedade e enfraquece a democracia, inclusive de países de portes médio e grande da América Latina. Além do investimento em tecnologia e na infraestrutura das polícias, as leis precisam ser endurecidas sem cair no oportunismo eleitoral, que escolhe algumas frentes sem se aprofundar no tema. A reforma ampla da legislação é o melhor caminho, mas, por enquanto, os parlamentares não estão envolvidos nesse sentido.