[[legacy_image_266806]] A última semana foi marcada por uma avalanche de notícias, comentários, repercussões e opiniões sobre mais um escândalo no futebol brasileiro, agora envolvendo uma rede de apostas com jogadores e financiadores envolvidos em cifras milionárias. A denúncia teve início com o Ministério Público de Goiás, que desencadeou a segunda fase da Operação Penalidade Máxima, onde os envolvidos são acusados de manipulação de 13 jogos das séries A e B do Brasileirão em 2022 e de torneios estaduais deste ano. Na primeira fase da operação, oito jogadores foram denunciados por envolvimento no esquema em jogos da Série B. Até agora, o esquema atinge os campeonatos estaduais de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Paraná e Ceará. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Os efeitos desse mais novo escândalo dentro do futebol foram imediatos para o esporte: atletas envolvidos foram afastados pelos respectivos clubes e investigações foram iniciadas pela Justiça. O Santos também figurou entre os times elencados no escândalo. Na terça-feira, áudios foram vazados envolvendo o zagueiro Eduardo Bauermann, que teria aceito entrar no esquema e provocar um cartão amarelo contra o Avaí. Pelo ‘serviço’, recebeu R\$ 50 mil antecipadamente, mas como não cumpriu o acordo, novo desafio foi oferecido, já que não devolveu o dinheiro: teria que ser expulso na partida contra o Botafogo. Depois do escândalo que em 2005 ficou conhecido como a Máfia do Apito, esquema de manipulação de resultados futebolísticos a partir da participação ativa de árbitros nas partidas, a mais nova descoberta promete ter efeitos para além da decepção de torcedores e torcidas organizadas. A repercussão pode atingir o descrédito do ‘produto’ futebol brasileiro, atingindo o patrocínio a clubes e jogadores, embora os clubes, nesse caso, estejam sendo tratados como vítimas, assim como as casas de apostas, que sempre existiram, mas seus resultados dependiam, única e exclusivamente, da aleatoriedade do enredo que se travava dentro de campo. Guardadas as devidas proporções, é como em apostas feitas em corridas de cavalos, comuns há décadas. E se um apostador pagasse ao cavaleiro por fora para reduzir a velocidade, provocar um acidente ou uma penalidade qualquer que o tirasse do páreo? Há tempos o ‘futebol-arte’ vem sendo colocado à prova, frente a tantos escândalos envolvendo os jogadores de ponta, cifras astronômicas pagas por contratos internacionais, denúncias de desvio de receitas em clubes e até nas entidades que representam o conjunto do esporte. Desta vez, os arrolados como réus são aqueles a quem os torcedores confiam o melhor resultado, aqueles que viram ídolo ou vilão a depender do desempenho em campo, aqueles que servem de modelo e espelho a tantas gerações de jovens. Que a Justiça siga fazendo seu papel e que o desfecho para esses que, acima de tudo maculam essa relação com a torcida, seja o banimento das quatro linhas em definitivo