(Freepik) A queixa dos empresários de falta de mão de obra qualificada é antiga e tem raiz na educação básica ineficiente. Sem uma boa formação, os trabalhadores em início de carreira e também os com alguma experiência têm dificuldades para se capacitar ou atender as necessidades mais modernas das empresas. Esse diagnóstico, debatido há anos, voltou a ser levantado pela última Sondagem Industrial, elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O estudo aponta que as lacunas no aprendizado dificultam agregar novos conhecimentos, desestimulando a própria mão de obra. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Esse contexto se dá num momento de desemprego em seu menor nível desde a série histórica iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em dezembro, a desocupação caiu para 5,1%, uma excelente notícia. Mas, com poucos profissionais disponíveis, fica mais difícil achar pessoal qualificado. Isso prejudica a produtividade das empresas e força o aumento dos salários, ampliando os custos de produção. Frente a esse quadro, os governos Federal, estaduais e municipais, que dividem a tarefa de educar a população, precisam melhorar não apenas a qualidade das escolas, como manter um sistema preparado para a capacitação com as novas ferramentas. A formação precisa estar adequada aos tempos de muita inovação e uso de alta tecnologia, o que tende a tornar muitas ocupações irrelevantes. Além disso, com acesso a muita informação na internet e aplicativos e o surgimento de novos meios de sustento, a CNI aponta que os jovens estão desinteressados pelas relações de trabalho tradicionais. Isso também faz com que a rotatividade de mão de obra nas empresas se acelere, o que torna mais caro o investimento do próprio empregador na qualificação de seu pessoal. Segundo pesquisa da Datafolha, 59% dos brasileiros afirmaram no ano passado que preferem ser autônomos, chegando a quase 70% na faixa de 16 a 24 anos. Muitos jovens falam em tom irônico sobre “ser CLT”, como se fosse uma desvantagem em meio aos que se lançam ao risco de trabalhar por conta própria. A tendência é que as empresas ampliem o pacote de vantagens, como plano de saúde e promoções mais rápidas, mas nem todas podem fazer isso num país com crises frequentes e baixo crescimento. Por outro lado, esse contexto reduz o número de contribuintes para a Previdência Social e arma uma bomba para a sustentação futura do sistema de aposentadorias. Aliás, é provável que poucos façam poupança para se sustentarem quando envelhecerem, o que também fomenta um problema social. O governo de Fernando Henrique Cardoso investiu em garantir escola para todas as crianças, enquanto a gestão atual destina muitos recursos para combater a evasão no Ensino Médio. Entretanto, já era para o País estar em pleno desenvolvimento de um ensino de melhor qualidade e adaptado às novas tecnologias e às aspirações dos jovens.