(Ricardo Stuckert/PR) A reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, na Casa Branca, na última quinta-feira, foi mais amistosa e demorada do que o esperado, prova de que o diálogo voltou. De fato, equipes técnicas de ambos os lados terão 30 dias para acertar suas diferenças. O governo brasileiro quer uma solução para 22% das exportações brasileiras que ainda pagam tarifas e encerrar a Seção 301 da Lei do Comércio dos Estados Unidos. Neste último caso, o Brasil pode ser punido por práticas desleais, segundo a visão americana, como prejuízo à concorrência com o Pix e desrespeito à propriedade intelectual. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O desempenho de Lula superou as expectativas, mais pelo lado político e do uso da imagem. Os elogios de Trump ao brasileiro se contrapõem à ameaça do americano de retomar a guerra comercial com a União Europeia. Mas o petista teve esse desenlace positivo com algumas coincidências. O secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário da Guerra, Pete Hegseth, estavam ausentes, desabastecendo Trump de questionamentos sobre América Latina, tráfico e organizações criminosas. O único ponto de tensão foi quando os brasileiros afirmaram que o Brasil taxa os EUA em 2,7% e os americanos corrigiram, falando em 12% (a conta do Brasil considera regimes de isenção que beneficiam produtos dos EUA). Sem um entendimento, partiu dos presidentes a ideia de criar um grupo de trabalho para buscar soluções práticas. Analistas especulam sobre o que fez Trump optar pela reunião, em meio a uma guerra que pode arrastar seu governo para uma derrota nas eleições parlamentares no fim do ano. Talvez ele queira mostrar ao chinês Xi Jinping, com quem vai se encontrar, que tem influência sobre o Brasil, principal parceiro da China nas Américas. O País, e muitos brasileiros não reconhecem isso, está hoje em um patamar muito melhor na economia mundial. Tem petróleo em abundância livre de confusão geopolítica, é o terceiro maior destino de investimento externo na atividade produtiva (atrás apenas da China e EUA) e ampliou as exportações. Na reunião, Trump insistiu que os EUA têm déficit comercial com o Brasil, condição para taxar o País. Pelo contrário, o Brasil está deficitário. A política de Trump, inclusive, encolheu a corrente de comércio (exportações mais importações) Brasil-EUA em 14% no primeiro quadrimestre sobre igual período do ano passado. Com a China, houve alta de 28%. No repercussão interna no Brasil, Lula saiu bem na foto com Trump, não tocou no tema da família Bolsonaro e buscou passar a imagem de que sabe defender os interesses do País. O Brasil não depende tanto dos EUA como os demais países da América Latina, mas os americanos são importantes compradores da indústria brasileira, o que não se tem com a China. Falta agora um desfecho vantajoso para o País, algo muito difícil nessa confusão comercial criada por Trump.