Atualmente, são quase inexistentes os pontos de coleta de lâmpadas, pilhas e baterias ( John Cameron/unsplash) Nos últimos 11 anos, São Paulo testemunhou um aumento notável na quantidade de resíduos coletados através da logística reversa, um indicador positivo que reflete um compromisso maior com a sustentabilidade ambiental. Segundo dados da Cetesb, a quantidade de resíduos coletados mais que dobrou, passando de 302 mil toneladas em 2012 para 828 mil toneladas em 2023. Embora represente um significativo avanço, há desafios importantes não só para ampliar essa política, como também para estimular a população a contribuir com o descarte correto na certeza de que encontrará pontos fixos para os materiais que deverão voltar à cadeia produtiva. A logística reversa é essencialmente o processo de coletar produtos usados ou resíduos pós-consumo para reciclagem, remanufatura ou descarte adequado, uma obrigação das próprias indústrias para alguns tipos de materiais, como pilhas e baterias, tintas e também lâmpadas. Prevista em 2010 na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a logística reversa enfrenta resistência para sua implementação por conta dos custos envolvidos na infraestrutura e sistemas de coleta, triagem e reciclagem, reforçada pela falta de fiscalização. São Paulo viu crescer essa cadeia a partir de 2018, com a política de condicionar o licenciamento ambiental obrigatório à apresentação de um plano de logística reversa, investimentos e métricas efetivas de implementação. A exigência vale para diferentes setores, de eletroeletrônicos de uso doméstico a embalagens de produtos para higiene pessoal. A Cetesb, agência estadual encarregada de emitir e renovar licenciamentos ambientais, estipula metas quantitativas e geográficas. Com resultados positivos, a medida foi adotada pelo estado de Mato Grosso do Sul, que também viu crescer as quantidades de materiais que retornaram à indústria. Atrelar o licenciamento ambiental e sua renovação a um plano efetivo de logística reversa pode trazer resultados, mas é compreensível o argumento de empresas menores sobre os custos elevados desse processo, motivo pelo qual é previsível que qualquer plano de expansão enfrente barreiras e judicialização. Mais de 14 anos após a criação do PNRS, talvez seja o momento de revisar alguns de seus pontos, com avaliação criteriosa dos avanços em relação à reciclagem, logística reversa e incentivos às cooperativas para que também façam parte dessa cadeia. Outro desafio relevante é ampliar a consciência da população sobre o descarte correto desses produtos, mas com a certeza de que haverá locais próximos para a entrega. Atualmente, são quase inexistentes os pontos de coleta de lâmpadas, pilhas e baterias. Os desafios são grandes, mas todos eles identificados, o que torna viável identificar o conjunto de soluções, para que continuem avançando as estatísticas não só em São Paulo, mas em todo o País.