(Reprodução Instagram) A vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, caminhava nesta segunda-feira (22) com tranquilidade para conseguir o apoio das lideranças democratas e dos delegados do partido para substituir Joe Biden na disputa de novembro contra Donald Trump. Uma vez confirmado seu nome, falta saber o que ela vai oferecer ao eleitorado, frente a um programa muito bem delineado pelo trumpismo, que é o Maga (sigla em inglês para Faça a América Grande de Novo). Não bastará apenas culpar o adversário pelo levante golpista de 6 de janeiro de 2021, ao mesmo tempo em que não adiantará muito repetir que o país está em crescimento vigoroso (o que de fato acontece, a ponto de adiar a queda dos juros). Simultaneamente, será preciso convencer os americanos insatisfeitos com a perda de poder aquisitivo devido à volta da inflação, ainda que ela tenha recuado nos últimos meses. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em um impressionante perfil do que é o Maga, o colunista do The New York Times David Brooks diz que esse movimento tem raízes no populismo do presidente Andrew Jackson (1829-1837), um dos fundadores do Partido Democrata, e substituiu o Reaganismo como linha política dos republicanos. Segundo Brooks, o Maga oferece segurança, tanto nas fronteiras como nos bairros, contra a globalização e ainda o capitalismo que tem favorecido, nessa visão, os magnatas. De efeito prático, há um ressentimento intenso contra imigrantes, acusados de roubar empregos e de inflar a criminalidade, neste último caso desmentida pelo Governo Biden. O candidato republicano defende redução de impostos, o que em tese levaria os ricos a investir mais, e o aumento de tarifas para estimular a indústria americana. Isso, aliás, já é praticado por Biden, principalmente no segmento de semicondutores de carros eletrificados. Trata-se de um protecionismo costumeiro dos governos da Europa e do Brasil, resultando em economias ineficientes e caras. A troca na candidatura democrata ainda não reverteu as previsões de vitória de Trump por reduzida margem nas urnas ou no colégio eleitoral. Kamala aparece com um ou dois pontos a mais que Biden na disputa contra Trump, mas os democratas permanecem em situação desfavorável nos estados-pêndulo (os decisivos para vencer no colégio eleitoral). Por isso, segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a tendência é Kamala escolher para vice o governador que possa fazer virar o resultado em uma região mais ampla. Com base no que se viu nos países em que a extrema direita esteve perto de vencer, como na França, os democratas devem ir pelo lado mais esperado de alertar contra ameaça bem reais, como risco à democracia e deportar imigrantes aos milhões, como almejam trumpistas radicais. De concreto, o partido de Biden conseguiu tirar do foco o impacto político do atentando contra Trump. Mas será essencial oferecer propostas contundentes aos americanos para derrotar tanto o republicano como seu Maga.