Imagem ilustrativa (Magnific) O corte da taxa Selic em 0,25 ponto percentual, na última quarta-feira, reflete mais uma vez as debilidades financeiras do País, que são menos graves do que nos anos 1980 e 1990, mas que ainda não permitem uma estabilidade com inflação baixa e bom nível de crescimento econômico. Em sua última reunião, o Banco Central manteve a política de redução dos juros, indicando que observa com preocupação o impacto da tensão com a guerra no Oriente Médio. O BC não tem como impedir os efeitos do conflito nos combustíveis, porém, essa alta de preços pode se somar a problemas não resolvidos internamente e reaquecer uma inflação antes decrescente. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Hoje, o principal fantasma por trás da inflação é o gasto do governo, que despeja dinheiro no País por meio de programas sociais, muito crédito e estímulos fiscais, mantendo a economia aquecida. Isso faz com que a política de juros altos demore mais tempo para dar resultado. O BC, via Selic elevada, busca retirar recursos das empresas e das famílias, forçando a queda dos produtos e serviços. Como a Selic fica inflada por muito tempo, o financiamento da dívida pública se torna mais caro, assim como as dívidas das pessoas físicas e jurídicas aumentam. Há o risco do descontrole, quando não se consegue pagar empréstimos. Do lado do governo, basta remunerar melhor o investidor dos títulos públicos. Para a sociedade, multiplicam-se os Refis (renegociação de dívidas tributárias) e os Desenrolas, impedindo que o País caia no precipício. São paliativos que adiam o pior, mas sem fazer os ajustes necessários, como cortar os gastos públicos, o País fica preso a um constante juro elevado e, consequentemente, crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) estagnado ou medíocre. Neste ritmo, o Brasil tem se mantido desde a década passada, enquanto outros emergentes conseguiram acelerar seus passos, como Índia e Indonésia. Economistas estão descrentes de que o sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, caso ele não consiga se reeleger, promoveria um corte de gastos consistente, limitando-se apenas a estabilizar as contas públicas, sem uma arrumação estrutural. Isso exigiria sacrificar programas sociais, suspender estímulos às empresas e retirar subsídios de financiamentos, medidas que causariam um baque devido à ampla presença do estado na economia. Há regras fiscais e legislação contra displicência e privilégios, mas elas perderam muita força por pressão das várias vertentes políticas. Por isso, precisam ser reforçadas. Deve-se admitir que, nos últimos 30 anos, o País resolveu alguns de seus grandes problemas econômicos, a hiperinflação, déficit comercial e crise energética (petróleo). Também fez reformas, como a trabalhista e tributária. Porém, não corrigiu estruturalmente os gastos públicos, com déficits que se repetem em menor ou maior nível independentemente do governo da ocasião. Essa tarefa não pode mais ser postergada.