Imagem Ilustrativa (Alexsander Ferraz/AT) Conforme as previsões, a superquarta, ontem, levou ao aumento de 0,25 ponto percentual na taxa de juros do Brasil e de queda de 0,50 nos Estados Unidos. As duas decisões, respectivamente, do Banco Central e do Federal Reserve, marcam uma inversão na política monetária das duas economias – de restrição ao crescimento brasileiro e estímulo nos EUA. Por aqui, o efeito imediato foi o recuo do câmbio, para R\$ 5,46, favorecendo o combate à inflação pelo BC. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Porém, para o Brasil o desafio é muito maior, pois o Produto Interno Bruto (PIB) segue em ritmo acelerado, o que pressiona os preços. Mas o salto do PIB, que neste ano pode fechar acima de 3%, tem o carimbo dos recursos públicos. Isso se deve à recuperação real (acima da inflação) do salário mínimo, à disparada da concessão de benefícios pela Previdência e às obras de infraestrutura e do Minha Casa, Minha Vida. E ainda os precatórios (indenizações judiciais pagas pelo governo), represados no Governo Bolsonaro e quitados agora. Mas esse gasto público também tem impactos negativos. O temor de risco fiscal, com um governo que gasta mais do que arrecada, pressiona os juros futuros, pois o mercado passa a exigir mais para financiar as despesas do setor público. A desconfiança também força o câmbio, pois o dólar é uma moeda de proteção. Paralelamente, a subida da divisa gera inflação via importações, por exemplo, de derivados de petróleo, trigo, máquinas industriais e agora carros elétricos. Alguns economistas acham possível que o medo do descontrole das finanças federais (algo que ocorreria não no curto prazo, mas até o fim desta década) possa atenuar efeitos favoráveis da queda de juros nos EUA. Como os treasuries, títulos públicos americanos, os mais seguros do mundo, passarão a render menos, os investidores internacionais tendem a buscar mercados que pagam bem mais, como o Brasil. Eles entrariam no País para faturar com a renda fixa com taxas mais altas e também com a Bolsa, que tem ações de grandes empresas desvalorizadas e de muita liquidez – caso os estrangeiros precisem tirar dinheiro em grande quantidade do País, rapidamente acharão compradores. Do lado dos EUA, o Federal Reserve age de forma totalmente invertida em relação ao Brasil. Por lá, a inflação arrefeceu para 2,3% ao ano, mas ainda acima de 2%, que é a meta do BC americano. Porém, a economia dos EUA perdeu fôlego, dando tranquilidade para os juros caírem por lá. No Brasil, ao contrário, tudo é mais difícil – o governo é gastador até o limite das regras de austeridade, e os contratos, do aluguel à prestação de serviços, têm reajuste automático. Para piorar, o País tem ineficiências que retroalimentam a inflação, como carga tributária elevada, burocracia e infraestrutura ultrapassada. Assim, os juros nunca caem acentuadamente, como reclama o presidente Lula, que de fato é quem poderia corrigir as fraquezas estruturais do Brasil.