(Reprodução) O Banco Central, agora sob comando de Gabriel Galípolo, um indicado do presidente Lula, manteve o rigor da gestão anterior, de Roberto Campos Neto, levando a Selic a 13,25% ao ano. O País agora fica atrás apenas da Turquia (45%), Argentina (32%) e Rússia (21%) na relação das maiores taxas básicas do mundo, segundo o portal Trading Economics. Entretanto, os três primeiros são países que enfrentam problemas extremos, de hiperinflação e guerra. A Turquia, cujo presidente há alguns anos demitiu o chefe do BC e afrouxou a política monetária, prova o risco de mexer com intuito eleitoral nas instituições. Em suas explicações, o BC confirmou que deverá subir a Selic em mais um ponto na próxima reunião, em março, para 14,25%. A instituição deixou em aberto para o decorrer do ano, o que foi atribuído pelos economistas às incertezas. Entre as principais estão o furacão Donald Trump, cujas medidas poderão forçar uma subida do dólar, o que pressionaria os preços no Brasil. Outra possibilidade é o clima, com chuvas ou seca interferindo nos alimentos. Até o momento, espera-se o contrário, pois há previsão de excelente safra. O que já está no radar é que a carne e o café continuarão inflacionados devido ao aumento de demanda e baixa oferta. O petróleo permanece como preocupação, porque a dependência do transporte por rodovias no País dissemina inflação por diversos setores, via custo logístico. Mas, enquanto as economias ricas, com exceção dos EUA, estiverem adormecidas ou em recessão, não há como o barril voltar a subir. Com juros que já estavam altos, alguns indicadores começaram a apontar desaquecimento, o que é positivo à política do BC para derrubar a inflação. Ela está em 4,83% ao ano e o mercado prevê 5,5% para 2025, enquanto a meta do BC é de 4,5%. Há muita ansiedade com o ritmo ascendente dos preços dos alimentos. Mas com a população sentindo tal impacto, aguarda-se redução da demanda. Entretanto, os economistas temem o contexto atual. O mercado de trabalho cresceu com muita força, o que deve segurar o consumo, mesmo que a economia cresça pouco. Porém, o temor dos analistas é com o governo, que ignora a necessidade de cortar gastos, fundamental para o BC atingir a meta de inflação mais rapidamente e afrouxar sua política monetária. Apesar do pessimismo que os juros altos provocam, uma Selic tão alta já começou a atrair recursos externos ao País. Com os juros dos Estados Unidos parados na faixa de 4,25% e 4,5% e no Brasil ainda aumentando, a renda fixa brasileira fica muito mais atraente aos grandes investidores americanos, o que segura o câmbio (devido à entrada de dólares) e alivia os preços das importações. Mas o problema é que o País depende de variáveis que não controla, como o ânimo do investidor internacional, geralmente fundos gigantes, e clima. O correto seria se esforçar no que pode ser feito pelo próprio País, como arrumar suas contas e melhorar a eficiência do produto nacional.