[[legacy_image_298713]] Com o corte de 0,50 ponto percentual, a taxa Selic deverá chegar a 11, 75% ao ano em dezembro, conforme o Comitê de Política Monetária (Copom) antecipou ao definir os juros básicos ontem em 12,75%. Cada decisão do Copom leva em média seis meses para fazer efeito no País, segundo estudos de economistas, mas garante desde já uma previsibilidade de dinheiro mais barato para consumir ou investir na atividade produtiva. Entretanto, o clima não é de festa porque a Selic permanecerá até o começo do próximo ano com dois dígitos, travando um crescimento que poderia ser mais rápido. Há duas fontes de preocupação - os gastos do governo e o anúncio do Federal Reserve, o Banco Central dos EUA, de que manterá uma política monetária restritiva por pelo menos um ano, o que tende a valorizar o dólar, componente importante da inflação brasileira. Se no começo do ano o mercado tinha como prioridade acertar quando o BC começaria a cortar os juros (foi em agosto), agora o debate é sobre a meta fiscal do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que promete zerar o déficit no próximo ano. Porém, como o governo tenta expandir seus programas sociais e a economia por meio de recursos públicos, em um momento de frustração com a arrecadação de impostos, existe um consenso - os analistas acham que Haddad não vai atingir seu objetivo. Há uma dúvida adicional, de quanto será esse rombo, aliás, sendo sustentado pela sociedade via juros dos títulos do Tesouro. E quanto mais o governo aquecer a economia, mais ele vai esticar o trabalho do BC de enfrentar a inflação. É por meio das taxas altas que o BC tenta desestimular a subida dos preços, assim, quanto mais demorado o ímpeto inflacionário, mais a Selic permanecerá salgada, mantendo crescimento pífio do Produto Interno Bruto (PIB). O problema é que boa parte dos aliados do presidente Lula acha isso uma bobagem, que o Estado precisa ampliar a sua presença na economia e que o País tem que crescer logo, principalmente até cada eleição. Porém, o histórico brasileiro prova as falhas dessa estratégia e se conclui que a austeridade é o melhor caminho para qualquer governo. O Brasil ainda fica exposto à política monetária dos EUA. Com os juros americanos em níveis elevados, os grandes fundos preferem investir nos títulos de lá, os mais seguros do mundo, do que nos emergentes, mesmo que os papéis desses países rendam mais. Isso provoca uma fuga de dólares para os EUA, valorizando a moeda. Como o câmbio pesa nos custos do petróleo e dos produtos agropecuários exportados, há um risco inflacionário sobre a gasolina e alimentos. Se por um lado é muito positivo para o agronegócio e a indústria extrativista (diga-se Vale e Petrobras), por outro o cidadão mais sentirá o peso no bolso nos supermercados e postos de gasolina. No fim das contas, combater a gastança federal é a medida mais segura que se tem.