(Freepik) Os bancos centrais do Brasil e Estados Unidos simultaneamente mantiveram suas taxas de juros básicas, apesar de indicarem seguir sentidos opostos (no Brasil, a taxa ficou em 10,5% e nos EUA, de 5,25% a 5,5%). Enquanto nos EUA o Federal Reserve disse que a inflação está quase no ponto desejado, no Brasil a autoridade monetária apontou, ainda moderadamente, que avalia subir a Selic. Isso não significa que a taxa atingirá patamares como nas gestões de Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro, na faixa de 13% e 14%, mas de qualquer forma haverá um aumento no custo do crédito e dos investimentos. Assim, o Brasil não teria condições de acelerar o crescimento. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nominalmente a inflação não parece ser um problema, pois está no acumulado do ano abaixo de 4,5%. Mas seus fundamentos preocupam, que são o risco fiscal do governo e a valorização do câmbio. No primeiro caso, os economistas não acreditam em um fim de mundo, com a União não conseguindo financiar déficits crescentes, mas em gastos estatais elevados aquecendo a economia. Mas há o problema adicional do câmbio em ascensão, aumentando os custos dos transportes e de alimentos importados, como o trigo. Além disso, a desvalorizando do real pesa nas despesas das empresas com insumos e máquinas e equipamentos adquiridos no exterior. Sob o aspecto cambial, surgiu neste semana um fator a mais, o geopolítico, de uma escalada no Oriente Médio, com um conflito de Israel com o Irã e o Hezbollah. Tal ameaça fez o dólar subir. O petróleo não avançou porque se espera queda de consumo. Há ainda um fator político diretamente associado à atuação do Banco Central, que é a crítica do presidente Lula ao chefe do BC, Roberto Campos Neto, culpando-o pelos juros altos. O provável sucessor de Campos Neto será Gabriel Galípolo, que assim como outros diretores governistas do BC, na prática, não têm divergido muito dos integrantes indicados por Bolsonaro. Portanto, a menos que o BC sofra uma intervenção política, o que seria desastroso perante o mercado, a autoridade monetária não teria muito o que fazer, elevando a Selic para manter a inflação dentro da meta, em até 4,5% ao ano. O controle da inflação pelo regime de metas e de aumento dos juros tem efeitos colaterais na economia, podendo levar à recessão e ao desemprego, mas é o sistema mais testado e com melhores resultados nos países estáveis e mais importantes. O passado recente do Brasil também mostra que tolerar aumento de preços gera efeitos desastrosos. Porém, parte da esquerda permanece insistindo em teses criativas e de efeitos eleitorais no curto prazo. O presidente Lula afirmou em seu balanço de governo, no último domingo, que vai cumprir as metas fiscais, o que gera um grande alívio. Porém, será preciso demonstrar isso na prática. Com o dever de casa feito, o País terá mais condições de enfrentar impactos externos sobre o câmbio e as importações, que pressionam a inflação.