(Paulo Pinto/Agência Brasil) Entre 2019 e o ano passado, a proporção dos jovens dos 15 aos 29 anos que não trabalham nem estudam, mais conhecidos como nem-nem, caiu de 22,4% para 17,5%. O recuo impressiona e traz boas perspectivas em relação a esse público. O que preocupa é que ainda são numerosos – 8,1 milhões, o equivalente à população de Santa Catarina, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) da Educação de 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os nem-nem se tornaram um problema social mundial, mas no Brasil sua participação em relação ao total de jovens assusta, por ser muito alta. A causa imediata é a falta de bons empregos para essa faixa, que, por falta de experiência, enfrenta dificuldades para se inserir no mercado de trabalho. Para esse começo, a qualidade do ensino é fundamental, o que pode ser complementado com qualificação profissional, acelerando o acesso ao emprego melhor remunerado. Entretanto, sabe-se que a formação educacional é muito ineficiente no Brasil, piorando a competitividade do País no mercado internacional. Por isso, não é uma surpresa que os nem-nem ainda sejam tão numerosos no País. Contudo, o problema é maior do que parece. Por exemplo, a Pnad mostrou que da faixa dos 15 aos 29 anos, 40,8% trabalham e tecnicamente não são nem-nem, mas eles não estudam nem se qualificam. Portanto, estão sob risco de se tornarem nem-nem a qualquer momento. Nessa idade, outros 25% somente estudam ou se qualificam, não trabalhando, a condição ideal para se preparar profissionalmente. Os que têm emprego e vão à escola ao mesmo tempo são 16,6%. O perfil socioeconômico explica o fato de muitos jovens não conseguirem sair da condição de nem-nem por muitos anos. A vida nos bolsões de pobreza, sem boas escolas e longe dos empregos com carteira, e a necessidade de cuidar dos filhos devido à gravidez precoce dificultam o desenvolvimento de uma carreira profissional. Mas, em dezembro passado, o desemprego atingiu 5,1% no País, o menor nível desde 2012, quando começou a pesquisa. Esse percentual possivelmente ajudou a encolher a proporção do nem-nem. Além disso, o Governo Federal criou o Pé-de-Meia, programa que estimula com uma bolsa a permanência no Ensino Médio. Porém, a iniciativa é muito recente e os pesquisadores ainda não têm certeza sobre seus impactos. A ascensão dos jovens influenciadores parece ser um fenômeno que poderia desestimular os estudos e o trabalho, principalmente porque nas redes sociais se faz muita piada sobre “ser CLT”, como se fosse uma desvantagem. Mas isso seria mais um efeito de bolha, de jovens que têm comportamento similar e valorizam ideias semelhantes. No fim das contas, quem tem chance de estudar em escola de qualidade e migrar para um mercado de trabalho, em tempo de evolução tecnológica, área muito bem dominada pelos jovens, não vai abrir mão de tais oportunidades.