[[legacy_image_305022]] Na visita a Israel que o presidente americano Joe Biden deve fazer hoje, os analistas dizem que o democrata tentará convencer o premiê Benjamin Netanyahu a não deflagrar a invasão por terra da Faixa de Gaza para punir o Hamas por sua carnificina horrenda do dia 7. Do lado das Nações Unidas, o Conselho de Segurança, sob presidência temporária do Brasil, busca um difícil acordo de cessar-fogo, expressão trocada para pausa humanitária, com entrada de medicamentos e alimentos, na proposta brasileira. Nesse jogo de palavras, o mundo real registrou mais 500 mortes após ataque a hospital de Gaza – Israel negou autoria. Segundo a imprensa americana, a ideia dos EUA é Israel seguir a estratégia americana de vários anos para neutralizar os grupos terroristas Al-Qaeda e Estado Islâmico. Oficialmente, Biden estará lá para discutir o resgate de reféns. Porém, Netanyahu, que fragmentou a sociedade israelense para enfraquecer o Judiciário, em meio a processo de corrupção contra ele, busca resultado imediato, que é dar punição dura ao Hamas. A consequência, numa escala muito maior do que até agora, será um banho de sangue de civis no território palestino, com 2 milhões de habitantes, a maioria jovens e crianças, espremidos em uma faixa que equivale a 1,3 vez a área de Santos. Para os EUA, está muito claro que o avanço por terra não será tolerado pelos países que, por esforço da Casa Branca, estavam se aproximando de Israel – em especial a Arábia Saudita. Também estão bem evidentes os interesses na região. O Irã quer manter o isolamento israelense, o Egito não quer deixar passar pela fronteira com Gaza possíveis combatentes do Hamas que poderiam se abrigar em solo egípcio, enquanto a Rússia será favorecida se o Ocidente tiver que dividir as armas hoje destinadas à Ucrânia. Por fim, o Hezbollah, que se baseia no Líbano e é muito mais poderoso que o Hamas, poderá escalar essa guerra com apoio do Irã, especialista em drones suicidas. Apesar das críticas internas da oposição, o Brasil realiza um importante esforço diplomático e humanitário. O governo decepcionou ao não se referir ao Hamas como grupo terrorista, pois é isso que foi feito contra os 260 jovens de uma rave e 120 integrantes de um kibutz (fazenda comunitária), além de muitos moradores de várias cidades, principalmente Sderot, caçados e executados implacavelmente no último dia 7. No conselho da ONU, o Brasil incluiu na proposta de acordo termos claros sobre ação terrorista, e faz um importante programa de resgate de brasileiros, que ontem se aproximava de mil repatriados. Agora, resta a Israel se decidir por uma guerra que Netanyahu admite que será prolongada, sem garantia de que eliminará o Hamas, mas sob risco de isolar o país, fortalecendo o ódio de outros grupos que defendem o fim do Estado judeu, ou seguir um plano, mais de longo prazo, que Biden com certeza deverá apresentar.