(Rogério Soares/AT) Nada mais justifica e novas promessas não servirão para atenuar o transtorno recorrente e cada vez mais crítico enfrentado pelos motoristas que se utilizam da travessia de balsas entre Santos e Guarujá. Inúmeros relatos feitos por quem se utiliza do serviço diariamente apontam que na última segunda-feira, por exemplo, a espera chegou a quatro horas, tanto para quem vinha de Guarujá como para quem partia de Santos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Além disso, alguns motoristas que aguardavam do lado de Guarujá foram assaltados por grupos de adolescentes de bicicletas, em uma espécie de arrastão, nesse caso se valendo de vítimas paradas sem ter para onde fugir. Um quadro que já não é novidade e se repete de tempos em tempos. Agora, porém, sinaliza de forma clara como está se desenhando a temporada de verão que se aproxima. O Departamento Hidroviário, ligado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado, justifica a situação com as explicações de sempre: balsas em manutenção preventiva, balsas paradas para checagem de rotina, o que reduz a quantidade de embarcações que servem à travessia. No caso desta semana, das sete balsas em operação, apenas quatro estavam em funcionamento. Vale destacar que, há quatro meses, o Estado anunciou a vinda de uma oitava embarcação, mas que esteve em operação apenas até agosto. O Governo do Estado abriu, na última sexta-feira, consulta pública para privatizar a gestão dos serviços de balsas em 2025. Ao todo, 14 linhas devem ser concedidas à iniciativa privada, incluindo as travessias Santos-Guarujá e São Sebastião-Ilhabela. Com a concessão, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) prevê renovar as balsas, reformar os ancoradouros e implementar novos, além de eletrificar todo o processo. A consulta pública ficará aberta até 23 de dezembro e a previsão é de ter a definição do novo gestor no primeiro semestre do próximo ano. A intenção de privatizar o sistema de travessias litorâneas não é nova e sempre surge como solução para melhorar os serviços, assim como se aguarda que o túnel submerso entre Santos e Guarujá minimize os transtornos específicos. Ambos os caminhos, que são complementares, não terão desfecho a curto prazo, em especial o túnel, que demandará recursos na ordem de R\$ 5 bilhões provenientes das esferas estadual e federal. Os problemas diários, porém, exigem providências imediatas e mais perenes, que abreviem o sofrimento e o estresse constantes dos motoristas. É compreensível que balsas já tão antigas e de uso contínuo precisem de manutenção. Porém, é inadmissível que não se tenha duas ou três de reserva para cobrir essas faltas. O que não é mais tolerável, ainda mais para uma região turística, é normalizar situações como a vivida esta semana, em que cruzar um canal com 450 metros de largura demore até quatro horas. Que o Estado encabece um conjunto de medidas urgentes enquanto as soluções definitivas não chegam.