Atenção é fundamental para evitar complicações (Reprodução) A transformação da plataforma Celular Seguro, inicialmente criada para bloquear o aparelho roubado, em um programa de segurança pública é um avanço, mas sua consolidação vai depender de várias instâncias do setor público. Lançado com essa nova roupagem na última terça-feira, o Celular Seguro vai conectar em um só sistema boletins de ocorrência e registros das operadoras de telefonia, entre outras origens. Dessa forma, os compradores informais, de boa-fé, poderão checar a procedência do telefone, enquanto os proprietários lesados terão alguma chance de recuperar o que foi roubado. Não está claro se as polícias civis de todos os estados vão se conectar facilmente ao Celular Seguro. Já se sabe que um grande desafio no combate à criminalidade em todo o País é conseguir fazer com que as várias corporações policiais de todos os entes da federação conversem entre si. Essa integração já estava prevista no esboço do projeto de segurança pública do então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, aprovado na Câmara e que ainda tramita no Senado. Aplicar essa parte da proposta vai depender do esforço da União e dos estados. Centrar esforços no combate ao roubo de celulares, em meio a tantos outros crimes graves no País, parece algo sem sentido, mas não é. Essa modalidade de crime cresceu tanto que um dos nichos mais recentes de desenvolvimento do setor de seguros é a proteção contra o roubo de celulares. Esse tipo de violência tomou proporções gigantescas não somente com a sofisticação dos aparelhos, mas com a cadeia de ilícitos envolvidos. Além da perda de um bem cada vez mais caro, há o risco de assassinato ou sequestro para transferir investimentos e recursos de empréstimos para contas de laranjas, em golpes que podem chegar a dezenas de milhares de reais. Investigações também apontaram máfias de receptação dos aparelhos, como no caso de um imóvel no Centro de São Paulo que continha centenas de unidades. Especialistas afirmam que parte desses produtos é contrabandeada para países pobres da África e Ásia, onde são revendidos. Portanto, perdeu o sentido das análises da criminalidade que apontam furto e roubo de celulares como práticas de menor importância. Seria interessante investigar quantos registros dessa modalidade resultaram na morte do dono, pressionando o setor público para dar maior atenção a esse tipo de violência. Pesquisas sobre a violência urbana já apontaram que o medo de ter o telefone roubado gera grande sensação de insegurança na população, o que explica o aparente interesse de governos em dar respostas nessa área. Para ter sucesso, o combate a esse tipo de crime precisa estar inserido em um plano contra a violência urbana, mais amplo, que os governos ainda não conseguiram desenvolver em conjunto. Pelo contrário, esse tema é visto por políticos como uma oportunidade para atrair votos, sem a sociedade ser efetivamente beneficiada.