[[legacy_image_154033]] O dia 24 de fevereiro de 2022 será lembrado por muito tempo como um novo capítulo nos livros da história mundial a ser contada aos nossos filhos, netos, bisnetos e assim por diante. Afinal, a data marcou o maior ataque de um país europeu contra outro, no mesmo continente, desde a Segunda Guerra Mundial. Um ataque deliberado, a sangue frio e repleto de discursos mentirosos. De um lado, um ditador sanguinário, ex-agente da KGB que, assim como Adolf Hitler, se considera imparável e usa do vitimismo nacionalista e das mentiras como forma de justificar suas patéticas, impensadas e desastrosas decisões. Enquanto invade a Ucrânia e mata inocentes, Vladimir Putin se justifica dizendo que quer proteger áreas separatistas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Putin nada mais é do que um ditador decadente em uma Rússia cada vez mais empobrecida, que vive à sombra do que já foi um dia e tenta se garantir pelo fato de ter herdado o maior arsenal nuclear do mundo. Arsenal, aliás, que se for utilizado é capaz de dizimar o planeta. De tão decadente, Putin precisou da ajuda de Aleksandr Lukashenko, seu fantoche e presidente de Belarus, para cercar um país visivelmente acuado e com medo. Enquanto a Organização do Tratado do Atlântico (Otan) cruza os braços e afirma que não vai enviar tropas à Ucrânia, já que os ucranianos não fazem parte do bloco, Putin e seus asseclas avançam, ceifando vidas inocentes, destruindo a delicada estabilidade geopolítica mundial e colocando a economia em risco. A economia é um trunfo do ditador russo, que possui reservas de US\$ 640 bilhões capazes de suportar as mais variadas sanções. Ele tem a consciência de que, quanto mais a Rússia for sufocada, mais o mundo sofrerá e mais afetada a já cambaleante economia global será. O preço do gás, do petróleo e dos fertilizantes vai disparar. Os russos são o maior fornecedor de gás natural da Europa, com 40% do abastecimento. Para Putin, invadir a Ucrânia é mais uma jogada em seu tabuleiro de xadrez pessoal. É impensável imaginar que, antes dessa medida, ele não tenha conversado com Xi Jinping, líder máximo da China e seu principal aliado. A Rússia, sozinha, não tem forças para enfrentar o restante do planeta. Com a China ao seu lado, porém, a coisa muda de figura. Falando de Brasil, os primeiros impactos da sádica decisão de Putin deverão ser sentidos nos próximos dias. O barril de petróleo bateu os US\$ 100 pela primeira vez em sete anos. Isso, obviamente, influenciará no preço do combustível, pressionando a inflação brasileira para cima, mantendo os juros altos por mais tempo e, consequentemente, freando o crescimento e a capacidade brasileira de gerar empregos. Outro setor que poderá ser afetado é o agrícola. Os fertilizantes e insumos agrícolas importados da Rússia são essenciais a essa área. Fora isso, as decisões políticas do governo Jair Bolsonaro podem ditar os rumos da nossa política internacional. A questionada viagem dele até a Rússia, por exemplo, pode ser uma questão menor perto do que ele disser a partir de agora.