[[legacy_image_326342]] O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostra claramente uma reversão da tendência de altas da inflação ano a ano entre 2017 (estava em 2,95%) e 2021, quando atingiu 10,06%, mas caiu para 5,79% em 2022 e 4,62% em 2023. Na vida prática do consumidor, em 2023, o único motivo para comemorar foi que os preços pararam de subir como antes, porém, não retornaram a patamares anteriores. Deve-se levar em conta que o IPCA é uma estatística que busca representar uma média do consumo da sociedade. Por exemplo, quem usa mais serviços médicos e gasta com transportes sofreu reajustes maiores ainda porque estes foram setores que avançaram mais que os demais. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! De qualquer forma, ainda que o Banco Central mereça críticas por excesso de dosagem, é preciso reconhecer o papel dele no esfriamento da inflação no ano passado. Acertar sempre não é simples, pois as decisões do BC fazem efeito apenas seis meses depois, segundo estudos de economistas, dentro de calibragens adotadas em reuniões a cada 45 dias. É por meio da subida dos juros que o BC consegue conter a demanda e desaquecer a economia, por consequência, a inflação. Contudo, não é uma política monetária perfeita, porque há interferências de outras origens. Por exemplo, o BC nada pode fazer em relação ao petróleo, cujos preços são definidos no exterior. Internamente há ainda herança da indexação da hiperinflação, em décadas passadas, com a correção automática dos contratos, públicos e privados, por um índice para compor rapidamente os valores. Em uma economia estável, tal revisão é feita com base em uma boa renegociação entre os dois lados, sujeita à demanda do momento. Por aqui, haja muita ou pouca oferta de imóveis, os aluguéis subirão de qualquer jeito porque há reajuste com base em índice acordado. Entretanto, preocupa a persistência dos que defendem uma inflação mais alta para permitir que o País cresça bastante, o que é uma sandice, porque a experiência brasileira desde os anos 1980 indica que a cada aumento de preços a tendência é que subam mais ainda para se proteger contra a desvalorização do dinheiro que ainda não se sabe que tamanho terá. Por isso, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, cuja política restritiva causa sofrimento antes de dar resultados positivos, é uma ferramenta que não tem como ser abandonada. Para evitar a inflação, outro importante autocontrole é o do gasto público, cuja injeção desmedida de recursos na economia pode anular os efeitos de curto prazo dos juros elevados, alimentando a inflação alta e adiando o fim do rigor do Copom. Por isso, é importante que o BC continue independente, protegido das conveniências políticas de quem está no poder, e que o Estado seja enxuto, evitando gastos em excesso que sugam a sociedade por meio de impostos cada vez mais salgados.