[[legacy_image_297042]] Os economistas e o próprio mercado ampliaram as apostas de que o Banco Central manterá na próxima semana, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), sua intenção de cortar a taxa Selic. Os juros básicos estão em 13,25% e, se houver uma nova redução de 0,5%, a Selic a 12,75% permanecerá muito elevada perante uma economia de crescimento baixo e recuperação moderada. Esse otimismo com o BC está relacionado ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, de 0,23%, divulgado na terça-feira e que veio levemente acima da inflação de julho, de 0,12%. Desta vez, o bom comportamento dos preços esteve bem disseminado pelos setores. A melhor notícia é de que o IPCA apenas dos serviços veio quase zerado, com 0,08%, abaixo de 0,25% em julho. Pois é esse setor que apresentava mau comportamento, sendo o último a iniciar sua retomada por ser o mais atingido na pandemia e por sentir profundamente os impactos do desemprego e da queda da renda. Pressionados, os serviços tiveram que atender uma demanda reprimida, forçando uma alta dos preços. Agora, com o consumo das famílias liderando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), não só o varejo, mas também educação, saúde e até a indústria consolidam suas retomadas. Entretanto, a inflação permanece como um fantasma pronto para assustar a economia brasileira. A preocupação está centrada nos combustíveis, com os países árabes conseguindo artificialmente manter o barril acima de US\$ 90 por meio da redução da produção devido à queda do consumo dos países ricos, que está enfraquecido. Como a economia depende muito do modal rodoviário, os preços do diesel pesam mais nos custos dos vários setores produtivos e de serviços, disseminando uma inflação antes localizada apenas em transportes. No Brasil, esse contexto sofre influência política por meio da Petrobras, cuja direção pode ser pressionada pelo governo para represar uma tendência altista dos preços, um erro cometido por Dilma Rousseff e que abalou profundamente a estatal na década passada. O melhor é o governo não tentar interferir nos rumos da inflação, deixando a própria economia fazer seus ajustes mediante a política monetária do BC, que não é perfeita e se revelou dura demais para o País. Porém, a condução do BC surtiu o efeito desejado, que foi quebrar a espiral inflacionária. Trata-se de um grande resultado, lembrando que a Argentina, que não seguiu as políticas como se espera, enfrentou em agosto uma inflação mensal de 12% e anual de 124%. Com uma inflação quase domada e o governo sinalizando uma gestão austera de contas públicas, o País poderá ambicionar um crescimento sustentável, com juros mais baixos estimulando os investimentos e o consumo. Porém, uma alta do PIB estimulada por injeção desmedida de recursos por programas sociais poderá gerar desabastecimento e trazer de volta uma alta desenfreada de preços.