[[legacy_image_271480]] O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) não é o indicador oficial da inflação (o governo e o Banco Central seguem o Índice de Preços do Consumidor Amplo-IPCA), mas a sua queda de 1,84% em maio sinaliza que o recuo da taxa Selic está bem próximo. Analistas esperam que o BC realizará um primeiro corte em 2 de agosto, enquanto os mais empolgados acham que a medida poderá ocorrer na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no dia 21. Ainda que o presidente do BC, Roberto Campos Neto, diga que há um processo de desaceleração dos preços mais lento do que o esperado, ele admite uma melhora no ambiente contra a inflação. De fato que há, pois o impacto dos juros altos segurou a retomada da economia por expandir o endividamento das empresas e dos cidadãos e os bancos restringiram o crédito por temerem uma explosão do calote. Assim não há como o consumo e os investimentos avançarem e estimularem a geração de empregos. Aliás, a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que o desemprego atingiu o menor nível desde 2015, porém, nas entrelinhas o que se vê é uma melhora muito lenta, como se fosse uma reposição da demanda reprimida na pandemia. A política dos bancos centrais de subir juros para controlar a inflação é a mais testada no mundo, com divergências sobre a exata dosagem. Por aqui, o BC foi acusado de demorar a subir a Selic quando a inflação começou a se aquecer no governo passado, com o reflexo da covid-19 e depois da guerra da Ucrânia, e agora de retardar os cortes. No caso do IGP-M, o processo de desinflação, expressão dos economistas para o momento em que há desaceleração dos preços nos mais variados setores, está bem claro. Do lado dos combustíveis, ainda que a nova política da Petrobras seja muito recente, o impacto do barateamento da gasolina e diesel deverá fazer efeito no próximo IPCA, que será divulgado pelo IBGE no dia 7. Há, porém, um revés, com a alíquota fixa de R\$ 1,22 por litro (gasolina e etanol), que passa a ser cobrada hoje como compensação do ICMS reduzido no ano passado. Como a cotação do petróleo caiu abaixo de US\$ 75, a Petrobras não terá dificuldades para realizar novos cortes nos combustíveis. Além disso, o IGP-M mostrou que a deflação está acentuada no atacado, e o câmbio continua estável, ao redor de R\$ 5,00, o que também ameniza os custos da estatal. Entretanto, a política de juros altos depende da austeridade do governo. Se de um lado o BC restringe o consumo e os investimentos e de outro o Executivo federal despeja recursos com fins eleitoreiros, a estratégia da autoridade monetária fica anulada. Daí a importância do arcabouço fiscal, que limita os gastos públicos e que ainda será votado pelo Senado. Com essa medida, o mercado ganha confiança no ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o que reflete nos juros e nas próprias expectativas da sociedade para voltar a gastar.