[[legacy_image_238163]] A inflação do ano passado, de 5,79% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), bem abaixo dos 10,06% de 2021 parece ser uma vitória, porém, está longe disso e embute notícia indigesta para o Governo Lula, que, aliás, comprometeu-se a fazer o País crescer mais rapidamente. Tudo indica que pretenda fazer isso por meio de recursos públicos, via benefício sociais, crédito e obras, a um custo de juros altos incidindo sobre as despesas federais. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Portanto, a torcida da equipe econômica deverá ser para que o Banco Central faça sua tarefa de calibragem com taxas mais baixas. No ano passado, o BC não conseguiu acertar por completo, pois sua meta de inflação era de 5,25%. O recuo inflacionário, da casa dos 10% ao ano para 5%, perde o brilho quando se observa o IPCA a fundo. O resultado está sustentado na redução de impostos sobre combustíveis e energia. Sem o corte dos tributos federais e do limite ao ICMS, o IPCA fecharia o ano passado por volta de 9%. Os economistas observam esse índice por grupos, alguns fictícios, como mostrou o jornal Valor. Por exemplo, há os itens da “guerra da Ucrânia”, com trigo, farinha, macarrão e panificados, que subiram 19%, e o grupo “reabertura econômica”, com passagens aéreas, hospedagem e pacotes turísticos, com iguais 19%. Mas os alimentos é que foram o motor da inflação do ano passado, com alta de 11,6%, frente aos 7,9% de 2021. Se for refeição fora de casa, foram 13%. Assim, com o índice por partes, fica mais fácil entender que as classes mais pobres sofreram de corpo e alma, com bolso e estômago, os efeitos inflacionários.Eles sentiram mais o avanço dos preços porque a comida atinge uma parcela maior de seus salários do que a dos mais ricos. E essa sensação aumenta de cima para baixo na pirâmide social. Basta considerar ainda um contexto de alto endividamento e desemprego para compreender a dificuldade financeira da maioria dos brasileiros, bem diferente do quadro de crescimento que o ex-ministro Paulo Guedes gostava de discursar. Para este ano, apesar de não ser um consenso entre os economistas, a expectativa é de uma inflação próxima à de 2022, com alívio em alimentos se o agronegócio realmente conseguir uma excelente safra – é preciso o clima colaborar até o fim do semestre. O perigo é o estímulo que o governo poderá dar à subida dos preços via injeção de recursos na economia. Entende-se a necessidade da população por benefícios sociais e casa própria e das empresas por crédito. Tudo isso tem um custo. O governo está deficitário e terá que pagar juros para gastar mais, o que aumenta o risco do impacto na economia se o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, errar com a caneta. Lula aprendeu no seu primeiro mandato que a gestão fiscal é fundamental para o governo dar certo e há sinais de que não deverá abusar. Mas as pressões da sociedade são imensas, com um cenário externo indicando recessão.