(Ralf Vetterle/Pixabay) O Conselho Empresarial Brasil China (CEBC) divulgou dados que mostram a relevância da importação de produtos do país asiático ligados à transição energética. Itens como painéis solares e carros elétricos representaram 11,4% do total enviado pelos chineses ao Brasil em 2024. O setor tem crescido de forma consistente na balança comercial dos dois países, saltando quase dez pontos percentuais entre 2020 e 2024. Embora as exportações para a China tenham caído 9,5% no mesmo período, a balança comercial entre os dois países teve saldo positivo para o Brasil. A questão, porém, vai além do equilíbrio econômico da balança comercial. Ao todo, 99,7% das importações chinesas vieram da indústria de transformação. Na outra ponta, o Brasil segue exportando petróleo, soja e minério de ferro. Dos US\$ 94,4 bilhões vendidos para a China em 2024, 80% foram de produtos ligados à indústria extrativista e agropecuária, e a indústria de transformação representou apenas 20% das vendas brasileiras. O recorte feito pela CEBC sobre produtos de transição energética reflete bem a eterna discussão sobre a necessidade de o Brasil desenvolver sua indústria de transformação, comercializando produtos de maior valor agregado, fruto de inovação e tecnologia, e a China é o país onde essa relação tem amplo espaço de crescimento. Os números da Câmara refletem um nicho de negócio onde o Brasil tem fartas oportunidades: a busca por fontes de energia mais limpas e eficientes e a constatação de que esse segmento vem em uma curva ascendente nos últimos anos. O crescimento sinaliza um mercado em transformação, alinhado com compromissos ambientais e com o futuro da economia sustentável. Contudo, a alta dependência de insumos estrangeiros expõe o país a vulnerabilidades econômicas e estratégicas. O Brasil possui todas as condições para ampliar sua capacidade produtiva nesse setor, mas faltam políticas públicas assertivas e incentivos estratégicos para que empresas nacionais possam desenvolver tecnologia própria e produzir internamente esses bens de alto valor agregado. A dependência da China para suprir a demanda por itens de transição energética também expõe o Brasil a riscos geopolíticos e variações cambiais que podem tornar o custo desses produtos instável no médio e longo prazos. Além disso, ao importar grandes volumes de produtos prontos, o País deixa de gerar empregos e desenvolver expertise nacional em setores estratégicos. Uma nação que deseja protagonizar a transição energética precisa ir além do consumo e se tornar produtora relevante nessa cadeia. O governo, junto ao setor privado e às universidades, deve investir em pesquisa e inovação para criar um ecossistema robusto de fabricação de baterias, semicondutores e painéis solares. A busca por um modelo sustentável de desenvolvimento deve passar pela reindustrialização e pela valorização da inovação. Importar é necessário, mas depender excessivamente de insumos externos pode ser um erro estratégico.