[[legacy_image_275482]] Enquanto se debate a necessidade de pausar ou não as pesquisas que envolvem a inteligência artificial, enquanto se constata que parte dos empregos hoje existentes deixará de existir até 2027, enquanto se constata que a tecnologia está invadindo áreas e setores antes supostamente blindados à inovação, o Ministério da Educação conclui que apenas quatro em cada dez crianças do 2º ano do Ensino Fundamental estão alfabetizadas. Fruto de um histórico de fragilidades na formação educacional, somado à gestão desastrosa da educação durante a pandemia, acrescido de anos e anos de falta de continuidade nas políticas públicas educacionais e, além de tudo isso, há uma desvalorização permanente e crescente das carreiras docentes. A educação, principalmente de crianças, peleja para ganhar fôlego e elevar o nível dos alunos que saem do Ensino Fundamental 1. Quando o Ministério da Educação constata que apenas 40% das crianças de segundo ano estão alfabetizadas, entenda-se dominar o letramento básico e a compreensão preliminar das quatro operações matemáticas, nada além disso, até por conta do longo trajeto que se seguirá até o término da educação básica, com o Ensino Médio. Se fosse se considerar a compreensão do que se está lendo, a interpretação correta de frases e conceitos, talvez o nível de analfabetismo fosse ainda maior. Não há “bala de prata” para resolver a educação no Brasil. É preciso, conforme os especialistas do segmento, de metodologias de longa duração, materiais, formação de professores e boas condições de trabalho. No momento atual, é preciso acrescentar um ingrediente a essa receita: estrutura de subsistência familiar, já que muitas famílias, empobrecidas financeiramente, precisaram colocar seus filhos em atividades laborais para ajudar no sustento, incluindo as crianças. Não por outros motivos, o governo lançou, na última semana, o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, nova política de alfabetização brasileira que vai subsidiar ações concretas dos estados, municípios e Distrito Federal para a promoção da alfabetização de todas as crianças do País. O investimento será de R\$ 1 bilhão em 2023, e de mais R\$ 2 bilhões nos próximos três anos. O objetivo é garantir que 100% das crianças brasileiras estejam alfabetizadas ao fim do 2º ano do Ensino Fundamental, conforme previsto na meta 5 do Plano Nacional de Educação (PNE). Além de garantir a recomposição das aprendizagens, com foco na alfabetização de 100% das crianças matriculadas no 3º, 4º e 5º anos, tendo em vista o impacto da pandemia nesse público. Não há o que duvidar das boas intenções do programa, nem questionar a sua pertinência. Porém, o desafio é tornar realidade um caminho já tantas vezes foco de anúncios e promessas. Não combina com um país que insere a inteligência artificial cada vez mais em seus processos produtivos manter uma geração tão expressiva de analfabetos.