[[legacy_image_290614]] As imagens de Lahaina, cidade da Ilha de Maui, no Havaí, parecem saídas de um filme pós-apocalíptico de uma guerra nuclear e ou de zumbis. Do incêndio devastador de uma semana atrás, os bairros de casas espaçosas próximas ao mar viraram escombros acinzentados onde tudo se perdeu. O caso de Lahaina, que contabiliza mais de 110 mortes, simboliza um período de alerta sobre as mudanças climáticas e o futuro do planeta, mas não o único. Chamas desalojaram na quinta-feira moradores de uma região florestal no nordeste do Canadá e na sexta o fogo avançava em Tenerife, nas Ilhas Canárias, Espanha. Já houve registros do tipo semanas atrás nas ilhas gregas, em regiões da Itália e França e também na província de Sichuan, na China. Os incêndios já eram registrados em verões anteriores, mas neste ano eles coincidem com as águas mais quentes do Pacífico devido ao El Niño. Apesar de parte da sociedade e de muitos governos não se esforçarem para combater as mudanças climáticas, os fatos estão aí. O impacto parece ser mais forte no Hemisfério Norte, em especial na Europa, com temperaturas acima de 40 graus. Por isso, em meio às evidências, os governos e a sociedade precisam agir em duas frentes. Além de medidas para reduzir a tendência do aquecimento e buscar as metas climáticas das Nações Unidas, como limitar o aumento da temperatura em até 1,5 grau Celsius em relação ao período pré-industrial (esforço de resultado no médio e longo prazos), é preciso agir agora para evitar ou atenuar tragédias como as do Havaí. No caso do Brasil, cientistas temem a disseminação de incêndios no cerrado, bioma que é mais rapidamente afetado pela devastação. O El Niño deve trazer muitas chuvas, mas nas áreas em direção ao Nordeste podem ocorrer secas. Além disso, há a possibilidade do desmatamento ilegal se aproveitar dessa situação. Equipes de resgate, bombeiros, fiscais do meio ambiente e respectivos equipamentos, como aviões e helicópteros, inclusive para chegar a rapidamente a regiões remotas, se tornam essenciais a partir de agora. A prevenção é o melhor remédio, porque se nada for feito a destruição será inevitável, com o deslocamento de populações e o fim de sistemas econômicos. No Havaí, não apenas uma cidade inteira virou pó. Segundo o jornal O Globo, pesquisadores começaram a investigar por lá o impacto do carreamento das cinzas para o oceano, destruindo corais, essenciais para o ecossistema marinho. Eles também precisam de águas transparentes para fazer fotossíntese, lembra o biólogo da Universidade Federal do Rio de Janeiro Rodrigo Leão de Moura. Imagine então o estrago que incêndios de proporções inéditas poderão causar aos biomas brasileiros. É muito difícil tomar medidas duras, mas quanto mais o combate às mudanças climáticas for adiado, mais perdas poderão se avolumar.